Causos do Boldrin

Causos do Boldrin: quem mandou perguntar?

O caboclo da roça resolveu visitar parte da família que morava em São Paulo. Embarcou
em um trem e, já na capital, ficou impressionado com o tamanho dos prédios e com o movimento nas ruas. Era gente demais, andando pra tudo que é lado: a pé, de ônibus, carro, caminhão. Uma barulheira danada. Distraído que só e sem nenhuma malícia, o sujeito nem se preocupou com a carteira cheia de dinheiro que levava no bolso. Só se deu conta que um gatuno tinha afanado a danada quando chegou à casa dos primos e foi mostrar a foto das crianças. Sem mais o que fazer, lá foi o caboclo prestar queixa do ocorrido na delegacia. Na antessala, chapéu na mão, o caipira esperava para ser atendido pelo delegado. Foi quando notou um grande quadro emoldurado na parede. Era uma pintura, tipo autorretrato, de uma madame de coque, brincos e batom. O caboclo ficou olhando, intrigado. Eis que, lá pelas tantas, surge o delegado. Percebendo o interesse daquele caboclo simples da roça pela pintura na parede, resolve perguntar:

Delegado – O senhor gosta de pinturas como esta?

Caipira – Se eu gosto? Gostá cumo, doutô? Uma muié feia desse jeito? Deus que me livre… Isso aí parece um fiote de cruz-credo! É feia que nem briga de foice no escuro!

Não satisfeito, o delegado alimenta o papo:
Delegado – É mesmo? O senhor acha isso tudo mesmo?

Caipira – Se acho? Acho é pouco. É feia demais, sô!
Calmamente, o policial então revela:
Delegado – Pois essa senhora aí é a minha mãe…
Depois de uma pausa, o caboclo arremata:
Caipira – Pois óia. Reparando bem, inté que é uma feiura caprichada!