Histórias do Brasil

De ofensa a mascote, porco se tornou sinônimo do Palmeiras

“E dá-lhe porco, e dá-lhe porco, olê, olê, olê”. Os torcedores mais desavisados tomaram um susto ao ouvir o grito que vinha das torcidas organizadas do Palmeiras durante partida válida pelo Campeonato Paulista de 1986, contra o Santos, no Pacaembu. Até então, chamar um palmeirense de porco era ofensa gravíssima. Nesse ano, o clube resolveu assumir o apelido.

A ideia de adotar o que até então era xingamento veio da cabeça do diretor de marketing do clube, João Roberto Gobatto, que três anos antes já vinha tentando convencer os diretores a aceitar o simpático animalzinho como mascote. Até chegou a desenhar um porquinho e mostrar aos conselheiros. Foi chamado de maluco, de traidor e, pior, de corintiano. Em uma carta, deu o argumento final: “É absorvendo certos apelidos que acabamos com a ação de sermos alvo de gozação”.

Em 1986, enfim, Gobatto se reuniu com a diretoria, com integrantes de torcidas organizadas e com alguns jogadores. Todos encamparam a ideia. Contra o Santos o gritou saiu ainda de forma tímida. Foi nas finais do Paulistão, contra o Internacional de Limeira, que os alviverdes gritaram o nome do bicho a plenos pulmões. Para finalizar, o atacante Jorginho posou para a capa da revista Placar ao lado de um leitãozinho.

(imagem: reprodução/Placar)

De lá para cá, não houve um jogo em que os palmeirenses, orgulhosos, não se auto-proclamam porcos. Até passaram a chamar o estádio Palestra Itália, atual Allianz Parque, de Chiqueiro. O mascote oficial do Palmeiras permanece sendo o periquito. Mas, no coração de cada alviverde, o porco é quem canta de galo.

Da Redação do Almanaque Brasil