Histórias do Brasil

Yeso Amalfi: “Rei da noite” conquistou a França com a bola nos pés

Elegante, conquistador e com pinta de galã. Amigo de beldades do cinema, de políticos e até de príncipes. O primeiro pop star do futebol brasileiro no exterior atende pelo nome de Yeso Amalfi, que brilhou na França na década de 1950. “Ele foi o jogador de futebol de maior destaque, mais prestígio e mais nome na Europa. Na França ele foi um deus”, diz o jornalista esportivo Léo Batista.

O meia-direita começou a carreira no São Paulo em 1945. Em um tempo em que transferência de jogadores entre países era raríssima, foi contratado pouco tempo depois pelo Boca Juniors, da Argentina, e pelo Peñarol, do Uruguai. Em 1950, coincidentemente no mesmo dia em que o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai, o craque embarcou em um navio para a França, para defender o Olympique de Nice. Os dirigentes do Olympique pediram uma partida de teste antes de fechar o negócio. Irritado por achar que merecia mais respeito, ele aceitou e marcou cinco gols. Ao fim do jogo, exigiu o dobro do salário para fechar com o clube.

(imagem: reprodução)

De pronto ganhou destaque e virou ídolo dos franceses. Os jornais esportivos o chamavam de “o deus do estádio”. Mas deus mesmo ele passou a ser na noite francesa. Bom de dança e de papo, encantou as altas rodas do país. Sabia discutir arte, política, cinema e até moda. Ele foi objeto de desejo de mulheres como Sophia Loren e Brigitte Bardot. Segundo o jogador, até a princesa Margareth, da Inglaterra, foi uma das apaixonadas. “Mas ela era feia de doer”, afirmou.

Tornou-se íntimo inclusive do príncipe Rainier 3º, de Mônaco. “Na noite, o Rainier era o príncipe e o Yeso, o rei”, garante o cineasta Luiz Carlos Barreto. Durante as filmagens de Ladrão de Casaca, de Alfred Hitchcock, com locações na Riviera Francesa, Yeso apresentou o príncipe a Grace Kelly, que gerou um dos casamentos mais comentados do século passado. Como recompensa, foi um dos 80 convidados da exclusivíssima festa real. O colunista social Ibrahim Sued, que estava na França para cobrir o casamento, recorreu a ele para saber detalhes sobre o que ocorrera na cerimônia.

O jogador passaria pelos franceses Racing, Mônaco e Red Star, além do Torino, da Itália, antes de encerrar a carreira aos 37 anos, pelo Olympique de Marselha. O craque-galã morreu em 2014, aos 88 anos, em São Paulo. Não guardava muitas recordações materiais de seu tempo de jogador. Mas sempre teve uma certeza, com boa dose de razão: “Depois de Santos-Dumont, eu fui o segundo brasileiro a conquistar a França”.

Por Bruno Hoffmann