Histórias do Brasil

Hemingway não conseguia jogar Escravos de Jó

Em 1944, Getúlio Vargas colocou o Brasil para lutar na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados. A Força Expedicionária Brasileira acampava em Porreta-Terme, na Itália. Sem muito o que fazer no acampamento, o correspondente Egidio Squeff, vestindo uniforme militar a serviço do jornal O Globo, se distraía brincando de Escravos de Jó na porta da barraca. Cantava a musiquinha e ia revezando entre as mãos e o chão uma pedrinha qualquer: “Tira, bota, deixa o Zé Pereira ficar…”.

Durante duas semanas uma figura ilustre parou por ali: o escritor norte- americano Ernest Hemingway, a caminho da Iugoslávia, vindo da Normandia. Ele atuava como espião contra fascistas em Cuba e seu faro costumava levá-lo para fronts de guerra, assunto muito presente em seus livros.

Ali, em Porreta-Terme, a cena singela na porta da barraca despertou sua atenção. O autor de O Velho e o Mar se encantou com o Escravos de Jó. Só que não conseguia aprender a brincadeira de jeito nenhum. Era bem vivido nessa história de “guerreiros com guerreiros” fazendo “zigue zigue zá” e estava acostumado a desvendar coisas sublimes como em Por Quem os Sinos Dobram, seu livro mais recente na época. Mas não aprendia o jogo.

Assim que chegava perto, Squeff começava a resmungar. Joel Silveira, repórter dos Diários Associados, cansou de ouvir o colega reclamando: “Lá vem o Hemingway que, além de chato, é burro. Como é que alguém consegue não aprender a jogar uma bobagem dessas?”.

Da Redação do Almanaque Brasil