Histórias do Brasil

Inimigos não tinham chance com Augusto Pontes

“Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem parentes militares”, disse Augusto Pontes em sua posse como professor de Comunicação da Universidade de Brasília, no começo dos anos 1970. Na plateia estava Belchior, que se inspirou no discurso do amigo para compor Apenas Um Rapaz Latino-Americano, um de seus grandes sucessos. Essa é apenas uma das contribuições do poeta, compositor e publicitário para a cultura cearense e nacional.

Augusto Pontes - Massafeira 1979
Augusto Pontes (foto: divulgação)

No fim dos anos 1960, Pontes ajudou a organizar, ao lado de Belchior, Ednardo, Fagner e outros um movimento que misturava música e literatura: o Pessoal do Ceará. Já no fim dos 1970, foi um dos produtores do histórico Massafeira Livre, evento que novamente colocou a produção cultural cearense em evidência nacional. Além disso, compôs mais de 500 letras de músicas, como Carneiro e Lupicínica.

Mas sua especialidade era a conversa franca em mesas de bar, onde surgiam suas frases curtas e provocativas, como “a união só se faz à força”, “o comunismo acabou antes de chegar aos pobres” e “quando a mesa cresce, a cultura desaparece”, soltada sempre que surgia um penetra à sua mesa. “Difícil imaginá-lo como professor da UNB. Ele definitivamente estava imune à proverbial chatice acadêmica”, escreveu o poeta Ruy Vasconcelos.

Quando Pontes morreu, em 2009, o jornalista Augusto Cesar Costa escreveu um tocante texto sobre o amigo, em que finalizava: “Amou muito, foi amado, teve amigos a perder de vista. Não se tem notícias de inimigos. Mesmo porque nunca tiveram a menor chance”.

Por Bruno Hoffmann