Brasil hoje

Cozinheira faz iguarias com o que o ia pro lixo

Cascas, talos e folhas. Os alimentos podem e devem ser aproveitados de forma integral. É o que ensina a cozinheira Regina Tchelly, 36 anos, ex-empregada doméstica que criou o projeto Favela Orgânica nas comunidades da Babilônia e do Chapéu Mangueira, na zona sul do Rio.

Nascida na Paraíba, ela cresceu vendo a mãe aproveitar integralmente tudo o que ia para a cozinha. Já no Rio, a partir de 2001, revoltou-se ao se deparar com o desperdício nas feiras livres. Passou a encher a sacola com o que era considerado resto e soltou a imaginação para dar novos fins para toda aquela comida. Assim surgiram brigadeiros com casca de banana, pão de casca de abóbora, pastas de talo de agrião. Todos deliciosos, baratos e de alto valor nutricional.

Em 2011, Regina juntou 140 reais e criou o Favela Orgânica. Sua disposição, talento e carisma fizeram o projeto decolar. Ensinou as vizinhas, depois a comunidade inteira, outras favelas do Rio e, quando se deu conta, estava dando oficinas em outros estados e até em outros países.

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Regina durante uma temporada em Paris (foto: arquivo pessoal)

A paraibana criou cerca de 500 pratos, todos sem nenhum tipo de carne. O espaço criado por ela também oferece bufê de gastronomia alternativa para eventos e promove capacitação para profissionais da alimentação. Já foram capacitadas mais de 30 mil pessoas.

Em setembro, a cozinheira estreou o programa Amor de Cozinha, no Canal Futura. Ela quer ir muito mais longe. “Tudo o que é feito com amor dá certo”, garante.

Por Bruno Hoffmann