Histórias do Brasil

Amor de Zica devolveu o samba e a vida a Cartola

Na história da Mangueira e do samba, o nome de Cartola está definitivamente ligado ao de Zica, sua segunda e eterna esposa. Com a morte da primeira mulher, o músico deixou o morro e parou de compor. Durante um longo período, ninguém soube dele. E foi quando estava no fundo do poço, no momento mais difícil da vida, que ela apareceu. Ou melhor, reapareceu.

Cunhada de Carlos Cachaça, um dos fundadores da Mangueira, dona Zica conhecia e admirava Cartola de longa data. Assim como ele, era viúva. Foi ela quem descobriu que, após alguns anos de sumiço, Cartola estava na favela da Manilha, e foi atrás dele. Quando o encontrou, o sambista estava entregue à bebida, sem dentes e vivendo de biscates depois de uma desilusão amorosa. Mesmo assim, Zica iniciou uma batalha por sua recuperação. Em 1950, foi morar com ele na Manilha. Depois o convenceu que o lugar do casal era o morro da Mangueira.

Com Zica, Cartola reencontrou o samba. Dias antes do casamento, em 1964, compôs Nós Dois, em homenagem à união: Nada mais nos interessa / Sejamos indiferentes / Só nós dois, apenas dois / Eternamente. Juntos, fundaram o Zicartola. Ela pilotava o fogão, enquanto ele comandava os infindáveis saraus. Foi ao lado de Zica que Cartola gravou seus quatro discos e compôs músicas como As Rosas Não Falam e O Sol Nascerá. A parceria marcou para sempre a história da música brasileira. Seus frutos, porém, não foram canções, mas uma vida de companheirismo e devoção.

Da Redação do Almanaque Brasil