Histórias do Brasil

Papai Noel integralista assustou criançada no Rio

Sabe o bom velhinho que, no Natal, traz presentes para as crianças bem-comportadas? Então, ele é índio, veste-se com cocar e tanga e fabrica em madeira os brinquedos que distribui. Era ao menos o que os integralistas defendiam nos anos 1930. Para eles, o Papai Noel tupiniquim atendia pelo nome de Vovô Índio.

Ano 2 - N.6 - 1 quinzena de 1936
Integralista “expulsa” Papai Noel em capa da revista Anauê, de 1936

O criador do personagem foi o jornalista Cristóvam Camargo, simpatizante da Ação Integralista Brasileira, corrente política ultranacionalista que, para muitos, flertava com o fascismo. Vovô Índio seria filho de escravo africano com uma índia e criado por uma família branca. Mais brasileiro, para os integralistas, impossível.

“O Vovô Índio deveria ter a mesmíssima função de alegrar as crianças contando histórias e distribuindo brinquedos, desde que todos fossem de procedência genuinamente brasileira”, conta o historiador Rainer Sousa.

fabulário do vovô

Até Getúlio Vargas tentou torná-lo um símbolo natalino tropical. Em meados da década de 1930, o presidente promoveu uma espécie de estreia oficial do personagem na festa de Natal realizada pela Casa do Pequeno Jornaleiro, no estádio de São Januário, campo do Vasco da Gama. Nas arquibancadas, um grande número de crianças.

A figura de cocar, tanga, zarabatana, tacape e saco de presentes não foi tão bem recebida quanto os integralistas imaginaram. Crianças de olhos arregalados, assustadas. O chororô correu solto. Até que os pimpolhos, em coro, passaram a clamar pela volta do Papai Noel. Para a tristeza dos integralistas, o fracasso sacramentou a morte do bom velhinho indígena.

Por Bruno Hoffmann