Histórias do Brasil

Bethânia e Caetano queriam Natal tropical de Santo Amaro

As pessoas que esperavam o ônibus carregadas de presentes se escandalizavam em silêncio com a cena: um rapaz magérrimo e uma moça altiva, também aguardando no
ponto, alteravam a voz: “Se eu pudesse, matava o Natal!”.

Caetano Veloso e Maria Bethânia, recém-chegados a Salvador, bradavam contra os enfeites natalinos da capital: árvores cobertas de algodão imitando neve, Papai Noel de vermelho. “Esse Natal nos parecia odiosamente vulgar”, explica o baiano em
Verdade Tropical.

Não que odiassem a comemoração. Gostavam dos presépios e da festa como era em Santo Amaro da Purificação, com os chãos das casas especialmente cobertos de
areia e os cômodos decorados com ramos de pitangueira. Apesar de desconfiarem que a areia branca e as pitangas também tentassem imitar neve e azevinho, os baianos as preferiam: “O resultado dava a impressão de um costume arraigadamente tropical”.

Da Redação do Almanaque Brasil