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Ocasião exigia esporte fino, Suassuna foi de Sport Fino

Entre a vegetação seca, o céu azul, o sol forte e muitas pedras, na vila de Taperoá, Sertão dos Cariris Velhos da Paraíba, nasceu Ariano Suassuna em 1927. Deitado na cama, o menino desde pequeno devorava livros. Literalmente. A cada página lida, arrancava um pedacinho de papel e comia, viajando com as palavras. E assim cresceu mergulhado em uma paixão: a literatura. Tornou-se o porta- voz das histórias do agreste nordestino. Seus livros ganharam o mundo. Inspirado pela terra seca, Suassuna escreveu Uma Mulher Vestida de Sol, O Auto da Compadecida, O Romance d’A Pedra do Reino, entre tantos outros. Na década de 1990, soube que seria homenageado com uma comenda do Governo de Portugal pelo conjunto da obra. O convite para o evento pedia em letras destacadas: traje esporte fino.

Suassuna, além de amante das letras, era um torcedor fervoroso do Sport Club do Recife, time que considerava “o primeiro sem segundo”. Quando viu a exigência, nem precisou pensar muito. Para prestigiar as cores do clube e solucionar o dilema da vestimentas para tamanha honraria, criou o traje Sport Fino. A roupa era constituída por calça e casaco pretos de linho, feitos sob medida pelas costureiras e alfaiates do sertão; camisa e meias vermelhas e sapato preto. Elegante que só! Foi vestido assim que Ariano passou a comparecer a todas as solenidades.

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Suassuna, vestido à caráter, em evento no Sport em sua homenagem (imagem: reprodução)

Trajando o Sport Fino, ele recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e desfilou na Marquês de Sapucaí, em pleno carnaval carioca de 2002, na maior e mais rubro-negra elegância. “Dizem que sou rubro-negro doente, mas não. Sou rubro-negro saudável. Doentes são os torcedores de outros times, que não sabem escolher”, afirmou certa vez, para finalizar: “Felicidade é torcer pelo Sport”.

Da Redação do Almanaque Brasil