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Engenheiro negro lutou contra a escravidão e projetou obras fundamentais ao País

Apesar da escravidão ainda estar distante de ser abolida, André Rebouças nasceu livre no interior da Bahia em 1838. Seu pai, filho de um português e de uma ex-escrava alforriada, era advogado autodidata e se tornaria deputado federal. Rebouças se desenvolveu no Rio de Janeiro num ambiente de classe média e próximo ao poder.

Formou-se em engenharia militar em 1860. No Rio, resolveu o problema histórico de saneamento de água que afligia a então capital do Império. No Paraná, projetou a estrada de ferro que mais tarde ligaria Curitiba ao porto de Paranaguá, até hoje uma atração turística do estado.

andré rebouças
André Rebouças (foto: reprodução)

O engenheiro também serviu na Guerra do Paraguai, e ainda tinha tempo para receber os políticos estrangeiros, a pedido de dom Pedro 2º. Ele falava inglês e francês. Era admirador de música clássica, e tinha especial carinho por Carlos Gomes, a quem incentivou – inclusive financeiramente – a continuar os estudos na Europa.

Rebouças passou a aliar seu trabalho formal à causa abolicionista. Ao lado de Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e outros, criou em 1880 a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Seu manifesto dizia: “O Brasil quer ser uma grande nação, e não como o querem, uma grande senzala”.

Com o fim do império, rumou para o exterior. Em Portugal, passou dois anos como correspondente do The Times, de Londres. Ainda morou na França e em Angola, até voltar para Portugal, onde morreria em 9 de maio de 1898.

Hoje, a avenida Rebouças, em São Paulo, e o túnel Rebouças, no Rio, são uma homenagem dupla: a ele e a seu irmão, Antônio Rebouças, também engenheiro e seu parceiro durante a vida.

Por Bruno Hoffmann