Noel Rosa foi o primeiro sambista a retratar com admiração a figura de um homossexual

Noel Rosa excursionava com o grupo Ases do Samba para uma série de apresentações no Sul do País em abril de 1932. O quinteto era formado por Noel, os cantores Francisco Alves e Mário Reis, o pianista Romualdo Peixoto (conhecido como Nonô) e o bandolinista Peri Cunha. Em Porto Alegre, o sambista mostrou uma canção nova para Mário Reis. Era algo diferente no ritmo, no andamento, e, principalmente, nos versos. Mulato Bamba retratava a vida de um homossexual malandro do morro do Salgueiro.

O sambista pediu para o cantor não mostrar a composição para Francisco Alves, que tinha o hábito de assinar sambas não feitos por ele em troca de uma boa gratificação financeira. Noel queria que Mário gravasse a música. E assim foi feito. A canção se tornou sucesso imediato devido a seu tema inédito. “O samba entraria para a história como o primeiro na música popular brasileira a tratar com tolerância, simpatia e até com admiração um personagem que a sociedade então marginalizava e a polícia, nas zonas boêmias do Rio, perseguia”, explica João Máximo, co-autor do livro Noel Rosa – Uma biografia.

A letra é inspirada em vários homossexuais que Noel conhecia, explica Máximo. Entre eles, Madame Satã, o lendário e valentão transformista da Lapa. Seja como for, o personagem retratado em Mulato Bamba era um sujeito que fazia as mulheres – inutilmente – suspirar por ele: E quando tira um samba é novidade / Quer no morro ou na cidade / Ele sempre foi o bamba / As morenas do lugar / Vivem a se lamentar / Por saber que ele não quer / Se apaixonar por mulher

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Raiz

Por Bruno Hoffmann

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