Histórias do Brasil Musica

Violeta Cavalcanti: de Quelé branca a herdeira de Carmen Miranda

Violeta Cavalcanti começou a cantar ainda pequena. Quando tinha 9 anos, a família mudou de Manaus para o Rio. Em Laranjeiras, começou a frequentar o coral organizado por ninguém menos do que o maestro Heitor Villa-Lobos, que logo percebeu o talento da garota.

Fã de Carmen Miranda, era uma adolescente quando decidiu se arriscar no programa de Ary Barroso, em 1940. Talvez como forma de devoção à Pequena Notável, escolheu uma canção de seu repertório: O Samba e o Tango. Porém, o que consta é que fez questão de não imitá-la. E foi impecável. Conquistou o primeiro lugar, mas não o prêmio. “Ganhou, mas não leva”, decretou Ary para a jovem. “Você já é herdeira de Carmen Miranda, portanto profissional, e o prêmio é para calouros”.

O tempo passou e ela ganhou notoriedade. Estrelou em rádios como Tupi, Educadora e Ipanema. Ficou famosa interpretando músicas que Carmen também cantava – por isso a associação imediata com a maior estrela de seu tempo.

Quando casou, em 1957, resolveu abandonar a carreira. Mas voltou 20 anos mais tarde, incentivada por Paulinho da Viola. Ao lado de Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas e Ellen de Lima, estrelou o musical As Cantoras do Rádio: Estão Voltando as Flores, em 2001. Para Ricardo Cravo Albin, diretor do espetáculo, Violeta era a “Clementina de Jesus branca”.

Apadrinhada por Villa-Lobos e Paulinho da Viola, herdeira de Carmen Miranda para Ary Barroso e Quelé branca para Cravo Albin, a cantora morreu em 2014, aos 90 anos, sem causar muito barulho na imprensa. Qual a primeira ou a última vez que você ouviu falar de Violeta?

Da Redação do Almanaque Brasil