Abaixo-assinado deixou divórcio mais uma década fora da lei

Em 1966, o Congresso Nacional votaria um projeto que incluiria o divórcio no Código Civil. Mas não foi fácil como hoje pode parecer. Houve chiadeira de grupos religiosos e outros setores encurvados à direita.

A TFP (Tradição, Família e Propriedade), grupo católico com ideais conservadores, encabeçou a campanha contra a separação. Lançou um abaixo-assinado para impedir que o projeto sequer fosse levado à votação. Intitulado “Em prol da família brasileira”, o manifesto conseguiu pouco mais de um milhão de assinaturas em 50 dias. Resultado: o divórcio levou mais 11 anos para ser reconhecido pela lei.

Em texto publicado nos jornais em 25 de junho de 1966, o grupo explicou a sua posição. Também atacou os favoráveis ao divórcio, chamando-os de “setores comuno-progressistas”. Ainda citou uma quase agressão que os membros da TFP teriam sofrido de seus adversários, tratando de exaltar a polícia política do momento: “O Dops fê-la cessar desde logo, com seu conhecido zelo pela tranquilidade pública”.

Da Redação do Almanaque Brasil

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