Histórias do Brasil Samba

Cacique de Ramos transforma o carnaval num velho oeste tupiniquim

O que Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Almir Guineto, João Nogueira, Jovelina Pérola Negra têm em comum? O samba é a resposta mais natural. Mas, mais precisamente, é a participação no bloco de Cacique de Ramos que une essa gente toda. São algumas das personalidades que ajudaram a manter uma das instituições mais tradicionais e importantes do samba carioca.

A história começou em 1961, quando Bira (que até hoje é o presidente e, não à toa ganhou, o apelido de Bira Presidente) fundou o bloco no bairro carioca de Olaria ao lado de amigos, para desfilar no carnaval daquele ano. As moças e rapazes saíram vestidos de índios e passaram a rivalizar com outro bloco tradicional da cidade, o Bafo de Onça, pela avenida Rio Branco. Logo nas primeiras canções os caciqueanos mostravam a que vinham: Visto um saiote de penas / Uso também um lindo cocar/ Meu nome é Cacique de Ramos / Sou vacinado e batizado / O que é que há.

As rodas de samba durante o ano também passaram a chamar a atenção, principalmente por incorporar novos temas e instrumentos ao gênero musical, como o tantã, o banjo e o repique de mão. Os mais tradicionalistas torciam o nariz, mas a inovação – com respeito à tradição – se tornou marca do bloco. “O que sempre acontecia ali era mágico. Eu rezava pra chegar logo a quarta-feira, que era o dia mais feliz da minha vida. Todo mundo ensinava e aprendia”, relembrou Arlindo Cruz.

As músicas que nasciam do pessoal Cacique, em volta da tamarineira que fica ao lado da sede, começaram a se tornar sucesso nacional durante os anos 1980, principalmente pelas vozes de Beth Carvalho e do grupo Fundo de Quintal: Vou Festejar, A Batucado dos Nossos Tantãs, O Show Tem que Continuar. Um pouco mais tarde foi a vez de Zeca Pagodinho gravar os pagodes do pessoal do Cacique.

Em 2012 a Mangueira homenageou o bloco em seu desfile, sob o enredo Vou festejar! Sou Cacique, sou Mangueira. Ao mesmo tempo em que milhares de caciqueanos saíam pela avenida Rio Branco, entoando versos clássicos da instituição cinquentenária: É o Cacique de Ramos / Planta onde, em todos os ramos / Cantam os passarinhos nas manhãs…

Uma das imagens mais marcantes do carnaval carioca é, sem dúvidas, o desfile do Cacique de Ramos. Milhares de foliões fantasiados de apaches ocupam durante três dias a avenida Rio Branco e mostram como o velho oeste foi devorado antropofagicamente pelo ziriguidum tupiniquim.”, exalta o historiador Luiz Antonio Simas.

Por Bruno Hoffmann