O Brasil não começa nem termina no Oiapoque

É preciso ser forte para receber a notícia: o Brasil não vai mais do Oiapoque ao Chuí. E já faz tempo. Em 1931, uma expedição demarcadora de fronteiras concluiu que o ponto mais ao norte do nosso território é o Monte Caburaí, em Roraima. No entanto, demorou mais de 70 anos para que o Ministério da Educação corrigisse os livros escolares. E só após um longo processo iniciado com a criação do município de Uiramutã, em 1996.

Foi este o marco para a movimentação que levou uma expedição ao Monte em 1998, chefiada pelo jornalista e secretário de turismo da cidade, Platão Arantes, que confirmou: são 84,5 quilômetros mais à frente que a antiga referência, o Cabo Orange, no Oiapoque, Amapá. Somente quatro anos depois os livros de geografia passaram a informar: o Brasil vai do Caburaí ao Chuí, no Rio Grande do Sul.

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Representação dos 84,5 km da discórdia

Apesar de sonora, a nova expressão levanta a dúvida: por que os amapaenses continuam a informar que o marco zero tupiniquim está por lá? Pedro Costa, co-autor do livro Amapá – A terra onde o Brasil começa (também assinado pelo senador José Sarney), explica. “Ao longo da história, se considera que um país começa e acaba nos seus limites marítimos. Assim, são informações distintas o extremo geográfico do País e o lugar onde ele começa”. E para não restar dúvidas, afirma: “O presidente Sarney e eu tínhamos conhecimento de que o Oiapoque não é o limite Norte do Brasil. Isto não quer dizer que não seja a terra onde o Brasil começa”.

Da Redação do Almanaque Brasil

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