Histórias do Brasil

Baleia, a cadela, foi a estrela brasileira em Cannes

Quando decidiu filmar Vidas Secas, baseado na obra de Graciliano Ramos, o cineasta Nelson Pereira dos Santos precisou se virar para achar uma cadela para fazer o papel de Baleia, o cão de estimação dos protagonistas da trama. Só foi encontrar a atriz ideal embaixo de uma barraca de feira em Palmeira dos Índios, em Alagoas, onde o longa-metragem foi rodado.

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A atriz que fez o papel de Baleia (imagem: reprodução)

Depois de uma apresentação do filme no festival de Cannes, em 1964, uma condessa italiana acusou o cineasta de matar a cadela de verdade na cena da morte de Baleia. De pouco adiantou dizer que a cadela estava viva, que a vira-lata era apenas uma ótima atriz. A polêmica foi tanta que uma companhia aérea francesa ofereceu uma passagem para que a cadela viajasse do Rio de Janeiro – onde vivia na casa do diretor de fotografia do filme, Luís Carlos Barreto – para Cannes. Como resultado, o animal tornou-se sensação na cidade francesa. “Baleia foi a grande vedete do festival”, lembra Barreto.

Assista à cena antológica da morte da cadelinha:

Por Bruno Hoffmann