Histórias do Brasil Literatura

Com poema de Bilac, Cecília Meireles opôs Brasil e Alemanha

Cecília Meireles era só uma garota de 11 anos quando recebeu do poeta Olavo Bilac uma medalha de ouro. Ainda nenhuma relação com versos – o prêmio destacava “distinção e louvor” da jovem estudante durante o curso primário, numa escola carioca. Quem diria que algumas séries adiante a estudante dedicada fosse punida por questões de disciplina? Com uma coincidência: Bilac estava de novo na história.

Era um poema dele que a menina declamava no intervalo das aulas em uma sala vazia, aos 13 anos. O diretor recém-empossado da Escola Normal do Rio de Janeiro passava pelo corredor e, ao ouvir Cecília, tratou de acabar com o recital. Proibiu que as futuras professoras continuassem declamando um autor tão “imoral”. As normalistas se inflamaram. Um movimento de “insubordinação ao diretor” chegou até aos jornais e algumas alunas foram convocadas a depor em altas instâncias da educação.

“A aluna Cecília Benevides Meireles, que vai ser inquerida pela alta administração da prefeitura, é órfã de pai e mãe e filha da falecida professora pública Mathilde Meireles.” Foi assim que o nome da adolescente apareceu na imprensa pela primeira vez, em 1915. No fundo, tudo estava ligado ao posicionamento do Brasil contra a Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial.

O diretor era alemão; e Bilac, um defensor da aliança contra os alemães. No fim do incidente, Cecília ganhou uma advertência formal. Mas não demorou para que o caso terminasse de vez com o afastamento de Hans Heilborn da direção da escola.

Da Redação do Almanaque Brasil