Esportes Histórias do Brasil

“Mocinhas de Araguari” calçaram chuteiras para salvar a escola

Era década de 1950. Dona Isolina, diretora de uma escola municipal em Araguari, no Triângulo Mineiro, amargava as contas no vermelho. Para salvar as dívidas, pensou em organizar um jogo com renda revertida para a escola. O diretor de futebol Ney Montes sugeriu uma partida diferente, de vanguarda. Mulheres em campo certamente chamaria mais atenção.

A diretora reuniu 40 voluntárias para salvar o caixa escolar. No dia marcado, estádio lotado para ver a mulherada. Sucesso tamanho que a cidade vizinha, Uberlândia, quis repetir a partida. Foi preciso chamar a cavalaria para conter a torcida curiosa. Futebol de mulheres nunca tinha sido visto.

A notícia do interior foi para as páginas da revista O Cruzeiro, que as batizou de Mocinhas de Araguari. Era só o que faltava para as meninas virarem atração nacional. Excursionaram pelo Brasil, desfilaram em carro de bombeiros em Salvador e Belo Horizonte. Foram convidadas até para jogar no México. Na foto que abre este texto, as atletas vestem a camisa do Atlético Mineiro em um amistoso em 1959.

Porém, por força da lei, a sensação durou pouco. Um decreto proibia mulheres de praticar esportes coletivos por serem “violentos e perigosos para a anatomia feminina”. Os sonhos das pioneiras foram por água abaixo. Elas pediram para praticar na escola, só por diversão. Mas os pais proibiram.

2009
As jogadoras se reencontram em 2009 (foto: Teresa Cristina/Arquivo pessoal)

Hoje, as senhoras jogadoras de Araguari se lembram com saudade da época em que eram craques em fazer história. E, certamente orgulhosas, veem o Brasil ser festejado por ter a melhor jogadora de futebol do mundo por cinco anos consecutivos: Marta.

Da Redação do Almanaque Brasil