Comunicação Histórias do Brasil

Criada pelo Notícias Populares, Loira do Banheiro aterroriza criançada há 43 anos

Bata a porta do banheiro, dê descarga e abra a torneira. Faça isso três vezes. Quem esteve em uma escola brasileira nas últimas cinco décadas sabe: surgirá uma loira, com algodão nas narinas e machado na mão. Sim, ela está morta. Mas, afinal, de onde teria surgido essa mulher? A resposta é simples e direta: de uma matéria de jornal. Ou melhor, da imaginação de jornalistas que recriaram uma lenda urbana que teria surgido em Guaratinguetá, interior de São Paulo, décadas antes.

A manchete estampou a capa do extinto jornal Notícias Populares em 1975: “Loira fantasma aparece em banheiro de escola”. Acostumados a buscar notícias polêmicas, os repórteres do NP se depararam com uma tarde sem sangrias. Ninguém fora morto a machadadas, nenhum bebê-diabo na maternidade. Mas havia uma foto borrada de uma funcionária do jornal. Loira. Tiveram a ideia da manchete, reeditando a história inventada por Orlando Criscuolo para o Diário da Noite, anos antes. O borrão virou algodão, e a loira, defunta.

A edição esgotou. Mário Luiz Serra, um dos “pais” da loira, conta que recebeu uma diretora do conceituado Colégio Rio Branco, de São Paulo, afirmando ter tirado uma foto da fantasma. Quando o filme foi revelado, não havia nada. “Se fosse gente, aparecia”, assegurava a educadora. A pressão aumentou, inclusive da Secretaria de Educação da cidade: por medo, as crianças não queriam mais ir ao banheiro. O jornal teve que publicar um desmentido. Tarde demais. A loira continuou cercando as escolas. Até mesmo a prima da tal funcionária que inspirou a manchete confessou: “Eu vi a loira do banheiro”.

Da Redação do Almanaque Brasil