Histórias do Brasil Musica Samba

Cacique de Ramos transforma o carnaval num velho oeste tupiniquim

O que Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Almir Guineto, João Nogueira e Jovelina Pérola Negra têm em comum? O samba é a resposta mais natural. Porém, mais precisamente, é a participação no bloco Cacique de Ramos
que une essa gente toda.
A história começou em 1961, quando Bira, ganhou o apelido de Bira Presidente – fundou o bloco carnavalesco no bairro carioca de Olaria. As moças e rapazes saíram vestidos de índios e passaram a rivalizar com outro bloco tradicional da cidade, o Bafo da Onça.
As rodas de samba durante o ano também passaram a chamar a atenção, principalmente por incorporar novos temas e instrumentos ao gênero musical, como tantã, banjo e repique de mão. Os mais tradicionalistas torciam o nariz, mas a inovação – com respeito à tradição – tornou-se marca do bloco. “O que sempre acontecia ali era mágico. Eu rezava pra chegar logo a quarta-feira, que era o
dia mais feliz da minha vida. Todo mundo ensinava e aprendia”, relembra Arlindo Cruz.
CARLOS VERGARA
As músicas que nasciam do pessoal do Cacique, em volta da tamarineira que fica ao lado da sede, começaram a fazer sucesso durante os anos 1980, principalmente pelas vozes de Beth Carvalho e do grupo Fundo de Quintal: Vou Festejar, A Batucada dos Nossos Tantãs, O Show Tem que Continuar. Um pouco mais tarde foi a vez de Zeca Pagodinho gravar os pagodes do pessoal do Cacique. Este ano, a Mangueira homenageou o bloco em seu desfile, sob o enredo Vou festejar! Sou
Cacique, sou Mangueira. “Uma das imagens mais marcantes do carnaval carioca é, sem dúvidas, o desfile do Cacique de Ramos. Milhares de foliões fantasiados de apaches ocupam durante três dias a avenida Rio Branco e mostram como o velho oeste foi devorado antropofagicamente pelo ziriguidum tupiniquim”, exalta o historiador Luiz Antonio Simas.