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Barão criou o bicho para pagar as contas do zoológico

Seu garçom, me empreste algum dinheiro / que eu deixei o meu com o bicheiro. Os versos de Conversa de Botequim, de Noel Rosa, são uma das inúmeras referências na cultura popular do jogo do bicho, loteria que também foi título de uma crônica de Machado de Assis. Mais: a expressão “deu zebra”, usada no futebol para se referir a resultados improváveis, é uma brincadeira com o fato de o animal não fazer parte do jogo.

A loteria foi criada no século 19 por João Batista Vianna de Drummond, o barão Drummond, dono de um zoológico no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Em 1892, o estabelecimento não ia bem das pernas. A solução foi criar um jogo para atrair o público. Diariamente se içava em um poste um quadro com o desenho e o
nome de um dos 25 animais do zoológico. Os visitantes recebiam um bilhete com um bicho. Ao fim do dia, quem tivesse o bilhete sorteado levava um prêmio em dinheiro. O jogo ganhou popularidade fora do zoológico e começou a ser adaptado para apostas, tomando a forma que permanece, clandestinamente, até hoje.

A loteria, ao lado de outros jogos de azar, foi declarada ilegal em 3 de outubro de 1941 por meio do decreto-lei n0 3688. Sancionado pelo presidente Getúlio Vargas, o decreto previa “prisão simples, de quatro meses a um ano, e multa, de dois a 20 contos de réis” para quem “explorar ou realizar a loteria denominada jogo do bicho”. Atualmente o jogo é considerado, além de contravenção, crime de formação de quadrilha e corrupção.