Entrevistas

“É um choque para as pessoas ver uma menina desse tamanho falando tudo isso”

Fomos a ao centro da cidade de São Paulo encontrar MC Soffia, em loja de sua avó onde chama a atenção as inúmeras bonecas de pano chamadas Makenas espalhadas entre as batas e outras roupas Africanas.

Soffia Gomes da Rocha Gregório Correia nasceu na Zona Oeste de São Paulo, em uma família de militantes do movimento negro. Sua mãe, a produtora cultural e estudante de direito Kamilah Pimentel. Frequentava o movimento negro das periferias de São Paulo quando a filha nasceu, passou a levá-la. Assim, Soffia se familiarizou com a cultura negra brasileira e se tornou presença ativa de eventos culturais e shows de hip hop.

Dona de um olhar crítico muito peculiar para sua idade Soffia é referencia para os pequenos e para os grandalhões também, na conversa ela fala de ser negra, mulher e criança. Compositora de Menina Pretinha entre outras teve seu brilho espalhado para o mundo ao cantar na abertura dos Jogos Olimpicos do Rio em 2016.

Como você passou a conhecer a cultura negra?

Desde de quando eu nasci, minha mãe e minha avó me levavam nesses eventos de Hip Hop.

Foi ali que você descobriu seu talento para cantar?

Foi em um evento chamado Futuro do Hip Hop onde se tratavam dos elementos de Rap e eu comecei minha carreira na música, mas eu sempre cantei com minha avó paterna, na minha família paterna tem muito artista e muitos praticam esporte, deles peguei esse amor pelo esporte também.

Q<strong>ue tipos de músicas você gostava de cantar antes de ser a Mc Soffia?

Músicas que minha avó cantava, da Elza Soares, Carinhoso, sabe aquela? Meu coração… Músicas antigas.

Qual foi a música que fez você aparecer no cenário musical?

Menina Pretinha, eu fiz o clipe lá no Rio de Janeiro na Pedra do Sal e outros lugares, chamei os Crespinhos para participar, esse foi que mais “bombou” passei a ir para as televisões por cauda dessa música. Passei a ser reconhecida na rua, o vídeo tem mais de 1 milhão de visualizações, foi o que abriu as portas para fazer mais coisas.

Você lançou agora pouco a música Barbie Black.

Isso é uma música que fala sobre a cor das bonecas, não tem muita Barbie Negra né? Elas tem um mesmo padrão, não tem diversidade nelas, são magras, altas na maioria loiras, nariz fino, não tem a boneca negra. Se é negra é muito cara, mesmo assim não tem traços de meninas negras só a pele mais escura. Então a música trata disso, Barbie Black tem todas as idades, menino e menina podem brincar, e essas coisas.

E essas bonecas aqui da loja?

São as Makenas, bonecas feitas pela minha avó e que falei na música Menina Pretinha. Eu sempre tive essas bonecas em casa, minhas duas avós faziam e eu sempre me senti representada, eu montava minha família brincando, minha filha, minha irmã, essas coisas.

Que tipo de música você gosta de ouvir?

Gosto de músicas que dão para dançar, de funk, Rap dos Estados Unidos e do Brasil. Mas não tenho uma preferida, cada hora escuto uma coisa, escuto samba também.

Como você percebe a reação das pessoas quando vai em programas de Televisão e se posiciona em relação a sua cor, condição social, escolha musical?

É um choque para as pessoas ver uma menina desse tamanho falando tudo isso, dando um papo de empoderamento, tem muitos adultos que ainda não conseguem força para se posicionar, falar. Na verdade não tem idade para falar de racismo. Se não falar o povo finge que não existe. E eu falo com base no que minha família me passa. Tem muita gente que acha que porque tem a pele um pouco mais clara não é negro, se aceitar como negro no Brasil é muito difícil. Então eu vou tentando descontruir esses pensamentos na minha música e no meu dircurso. A maioria da nossa população é negra.

Fale de brincadeiras que você gosta.

Eu gosto muito de esporte, jogar basquete, futebol, voley e polícia e ladrão

Fale de suas referencias na vida.

Minha mãe, minhas avós, minha tia Nicki Minaj, Beyoncé, Rihanna e principalmente eu, rs.

Como foi cantar nas Olimpiadas do Rio em 2016?

Fiquei muito feliz, nunca ia imagines na minha vida, quando fiquei sabendo fiquei era natal, ou ano novo não lembro diretiro mas muito feliz. Um pouco antes eu fui pro Rio de Janeiro fiquei com a Karol Comka e Lelezinha que são minhas amigas. Antes de eu entrar para cantar minhas pernas tremiam com medo de errar, mas deu tudo certo. Uma enorme visibilidade também.

Qual cultura popular está presente na sua vida?

O pessoal em casa ouve samba e eu lembro de acompanhar meu pai e meu tio nas aulas que eles davam de samba rock na faculdade Zumbi dos Palmares, eles dançam pra caramba.

E suas músicas você que compõe?

Sim eu e minha mãe.