Histórias do Brasil Politica

Tesouro perdido seduziu até Machado de Assis

Brasil ficou pequeno demais para o marquês de Pombal e a Companhia de Jesus no século 18. O novo ministro português não admitia o poder e a riqueza que os padres jesuítas possuíam na colônia. Ordenou então que os religiosos fossem enclausurados no alto do Morro do Castelo, onde ficava a sede da Companhia de Jesus no Rio de Janeiro, e tratou de mandá-los de volta à Europa. Era o ponto de partida de uma incessante caça ao
tesouro.

Ao expulsar os padres, em 14 de março de 1760, o vice-rei conde de Bobadela apreendeu toda a sua fortuna. Não satisfeito, revirou todo o complexo jesuítico. Justificou ao rei dom José 1°: “É certo que, sabendo os padres que em mais ou menos tempo havia de chegar a tormenta, puseram o seu tesouro em salvamento”. Bobadela encontrou muito ouro escondido em vãos de parede, atrás de altares, entre janelas, debaixo do chão. Mesmo assim, ficou a crença de que havia mais, muito mais, em algum lugar do morro.

Desde então, governantes, populares, homens das letras, engenheiros e gente de toda a sorte passaram a revirar antigos mapas e manuscritos em busca de pistas sobre o tesouro perdido. Lenda ou não, a crença de que havia baús enterrados perdurou por séculos. Machado de Assis escreveu: “As grandes riquezas deixadas no Castelo pelos jesuítas foram uma das minhas crenças da meninice e da mocidade… Perdi saúde, ilusões, amigos e até dinheiro; mas a crença nos tesouros do Castelo não a perdi”. O morro foi derrubado em 1920. Galerias subterrâneas foram descobertas, mas nunca se achou baú algum.