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Temporada em Marte inspirou pintor catarinense

Quem observa as pinturas de Meyer Filho repara na presença constante de um sol
vermelho. Trata-se de Marte, planeta do qual o pintor catarinense dizia-se cidadão honorário: “Sou embaixador de Marte na Terra”, costumava afirmar, a sério, em entrevistas. Para quem perguntava se estava brincando, era categórico: “É verdade”. Não é necessário nem o sol vermelho para que se perceba a influência das temporadas marcianas. Os galos que pintava à exaustão tinham traços visivelmente locais.

Seu surrealismo fantástico, inovação na arte sulista nos anos 1950, estampava ainda quintais, cavalos alados, paisagens de Florianópolis e seres folclóricos, numa peculiar explosão de cores. Nascido em 1919, Meyer pintava galos desde criança. Foi funcionário público do Banco do Brasil por 30 anos. Aos 27, descobriu que seu negócio era a arte: “A partir daí, passei a encarar o banco – que eu adoro, mas que tem uma raiva desgraçada de mim – como um meio de me tornar um grande artista e cuidar da minha família”. Meyer calculava ter rabiscado 30 mil desenhos em verso de cheques, talões de depósitos e fichas.

Finalmente aposentado, pôde se dedicar exclusivamente aos quadros. Realizou
mostras individuais em várias capitais brasileiras sem sair de Santa Catarina. Morto em 1991, sua obra espalha-se em museus de todo o mundo. Quem sabe até fora dele. Sobre o Planeta Vermelho, dizia que a taxa de juros era muito menor que a daqui. E ainda que o gelo brotava do chão, “como atesta a sonda Phoenix”. Certa vez, convidou um amigo para uma dessas visitas extraterrenas, e garantiu: “Não vai faltar gelo para o nosso scotch!”.

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