ia 13 de março de 1980, estádio de Vila Euclides, São Bernardo do Campo. O Sindicato dos Metalúrgicos liderado por Lula convocou greve geral e ali se reúnem
80 mil trabalhadores. No quarto dia de greve, 170 mil trabalhadores cruzam os braços.
A polícia da ditadura reprimiu os grevistas e interveio no Sindicato.
Em meio à turbulência, fui convidado a desenhar um cartaz, para ser vendido e ajudar os desempregados do ABC.
A comissão que me recebeu tinha pronta a imagem a desenhar: operários tomando as fábricas. Argumentei que a imagem não era verdadeira e não conseguiria desenhá-la. Disse que a humilhação do desemprego que meu pai operário e eu próprio experimentamos por longos períodos talvez comovesse e despertasse a solidariedade para a venda do cartaz.
Fiz o desenho, reproduzido nesta coluna, que vendeu mais de 25 mil exemplares e se tornou emblema desse momento histórico.
Agora que Lula é eleito presidente, o desemprego é um flagelo ainda maior, mas as chances que a história nos dá para combatê-lo são extraordinárias e nenhum de nós, brasileiros, tem o direito de se omitir.
Todos os meus desenhos, ao longo desses 32 anos de ofício, embora denunciassem a humilhação da pobreza, jamais deixaram de ter as estrelas da esperança.
Felicidades, presidente Lula, e conte com todos nós, que fazemos esse vulgarizador da história brasileira.
Brilha a estrela da esperança
Elifas Andreato