AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO
1
_________________________________________________DIA MUNDIAL DA AMAMENTAÇÃO

Em 1º de agosto de 1990, organizações internacionais e representantes de governos de 40 países, incluindo o Brasil, reunidos em Florença, Itália, assinaram a Declaração de Innocenti. Comprometeram-se a promover o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses e a continuidade da amamentação até os dois anos ou mais. Em 14 de fevereiro de 1991, após encontro de ongs (organizações não-governamentais) organizado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), criou-se a Waba (World Alliance for Breastfeeding Action), Aliança Mundial dos que desenvolvem Ações de Promoção à Amamentação.
A Waba idealizou a Semana Mundial de Aleitamento Materno, estratégia para provocar, todos os anos no mesmo período, uma grande mobilização e reafirmar os compromissos assumidos em Florença.
Algumas prefeituras, como a de São Paulo, declararam
a primeira semana de agosto como Semana Municipal
da Amamentação.
Desde o início em 1992, a Semana conta com adesão crescente de pessoas, cidades e organizações mundiais
e usou os seguintes temas como fonte de mobilização:

AMAMENTAR É EDUCAR PARA A VIDA
Por MARINA REA, especial para o ALMANAQUE BRASIL
1992 Iniciativa Hospital Amigo da Criança
1993 Mulher, trabalho e amamentação
1994 Faça funcionar o código de controle do marketing
dos produtos que competem com a amamentação
1995 Amamentar fortalece a mulher
1996 Amamentação: responsabilidade de todos
1997 Amamentar é ato ecológico
1998 Amamentar é o melhor investimento
1999 Amamentar é educar para a vida
2000 Amamentar é direito de todos
2001 Amamentar é comunicar-se
2002 Amamentação = saúde da criança e da mãe.
AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO AGOSTO
11
___________________________________________DIA DA CONCIÊNCIA NACIONAL
O prédio do Departamento de Ordem Pública e Social, o Dops, foi tombado em 1999. Construído em 1914, com arquitetura de Ramos de Azevedo, pertence à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Projetado para abrigar a estação da Estrada de Ferro Sorocabana, acabou usado como órgão repressor. Durante 60 anos, entre 1924 e 1983, o Dops vigiava e mantinha presos suspeitos de ação contra o governo. Na ditadura militar, cresceram as perseguições. Documentos registrados neste período da história estão desde 1991 no Arquivo do Estado.
Há três anos, o prédio começou a ser restaurado. Reinaugurado em 2002, o espaço Memorial da Liberdade foi instalado nos porões. Os arquivos voltaram para o lugar de origem, para preservação da história do País. Uma nova fase da memória nacional é apresentada em três exposições, inauguradas em 4 de julho de 2002:

DA INTOLERÂNCIA À CIDADANIA EM 60 ANOS

Cotidiano Vigiado – Repressão, Resistência e Liberdade nos Arquivos do Dops 1924-1983; a instalação Intolerância, de Siron Franco, com 600 bonecos que representam a época da repressão; e Cidadania – Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Com o patrimônio resguardado, tornou-se local de exposições com os temas: democracia, cidadania e direitos humanos, desconhecidos do antigo e famigerado Dops.
PRÉDIO DO ANTIGO DOPS. Foto: Monica Zarattini/ AE
MARINA REA , Tereza Toma e Siomara Siqueira, do Instituto de Saúde, SES/São Paulo e membros da rede IBFAN (International Baby Food Action Network). Esta rede faz parte
da Rede Feminista de Saúde (www.redesaude.org.br).
13
____________________________________DIA DO AZAR
AZARADO É O GATO,
QUE PAGA O PATO
Sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres e à confiança em coisas ineficazes; crendice – é como o dicionário define superstição.
No Brasil, difícil encontrar quem não tenha a sua. Cada crendice tem sua história, algumas surgiram há milhares de anos. Bater na madeira três vezes: afugenta o azar. Costume que começa há 4 mil anos entre índios da América do Norte. Consideravam o carvalho morada dos deuses, pois era a árvore mais atingida por raios. Quando se sentiam culpados, batiam no tronco para pedir perdão e mandar todos os males para debaixo da terra.
Na Idade Média, acreditava-se que gatos eram bruxas transformadas em animais. De hábitos noturnos, felinos de cor preta eram os mais temidos. O papa Inocêncio VIII incluiu o animal na lista de perseguidos pela
Inquisição. Superstição: cruzar comgato preto é sinal de mau agouro.Ferradura, trevo de quatro folhas, galhinho de arruda, sal grosso. Se você acredita, qualquer coisa vale para atrair a sorte. Não é bom bobear, pois agosto entre nós costuma ser mês de azar.
17
_______________________________________DIA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO
ONDE ESTÁ UM PEDAÇO DE NÓS? NO TERREIRO
descaracterização, é o compromisso do Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
A Bahia, por exemplo, é berço privilegiado da cultura negra brasileira. Os terreiros de candomblé são os principais responsáveis pela manutenção desta cultura,
especialmente em Salvador: perpetuam religiosidade, música, culinária e danças trazidas pelos africanos.
O mais antigo terreiro, o Casa Branca ou Ilê Axé Iyanasso Oka, foi o primeiro do País que o Iphan tombou, em 1986. Do Casa Branca originaram-se outras duas importantes casas do culto afro-brasileiro: o Ilê Axé Opó Afonjá e o Ilê Iyá Omin Axé Iyamassê, ou terreiro do Ganthois. O segundo templo tombado, em 1999, é o Ilê Axé Opó Afonjá, de Mãe Estella de Oxóssi. Dedica-se ao culto de Xangô, sob liderança feminina, fundado por Eugênia dos Santos, a Mãe Aninha, em 1910.
O Iphan prepara-se para o tombamento do Iyamassê, o mais conhecido da Bahia, por causa da lendária Mãe Menininha do Ganthois. O Casa Branca, o Ilê Axé Opó Afonjá e o Ilê Iyá Omin Axé Iyamassê formam o mais importante conjunto de casas de candomblé da Bahia.
Brasilidade pura.
reservar bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e afetivo,impedindo sua destruição ou
19
________________________________________DIA MUNDIAL DO ARTISTA DE TEATRO
ASSASSINOS SÓRDITOS AGEM
TODAS AS NOITES IMPUNEMENTE
Sérgio Cardoso começou a carreira, em 1947, por onde muitos atores terminam: interpretando Hamlet. Formado em Direito, preparava-se para seguir a carreira diplomática. Aceitou convite para participar do Teatro do Estudante do Brasil e concorreu ao papel da peça de
Em 1954, estreou como diretor em Canção Dentro do Pão, de Raimundo Magalhães Jr. Ganhou
os prêmios de melhor diretor e ator.
Dez anos mais tarde aceitou convite de Cassiano Gabus Mendes e estreou na novela O Sorriso
de Helena
.
Shakespeare. O júri o escolheu por unanimidade.
A peça não fez sucesso, mas a descoberta do talento mudou-lhe a vida.
Em 1949 foi para o Teatro Brasileiro de Comédia, aprendizado seguro para sua carreira profissional. Lá conheceu a mulher e com ela formou a Companhia Sérgio Cardoso-Nídia Lícia, que remodelou o Teatro Bela Vista, em São Paulo, logo reconhecido como dos melhores do País. Em cinco anos produziu 18 espetáculos.
Com Nídia integrou ainda a Companhia Dramática Nacional, do governo.
A televisão lhe rendeu fama; tornou-se um dos atores mais bem pagos, sem abandonar sua reverência pelo palco.
Sérgio Cardoso morreu aos 47 anos,
na tarde de 18 de agosto de 1972.¸efletindo sobre a profissão, sentia como se houvesse um mecanismo louco e complexo. Dizia:
"Como é que alguém que se acha Napoleão é internado no hospício e nós, que todas as noites somos Napoleão, reis, assassinos poderosos, sórdidos ou atormentados, não somos presos nunca?"
21
______________________________________________________DIA DA HABITAÇÃO
BAIXOU O ESPÍRITO DE GAUDÍ NA FAVELA
o "castelo" de Estevão Silva da Conceição, construído com sobras de materiais. Baiano de Santo Estevão, deixou o Nordeste adolescente. Como servente, trabalhou dez anos na construção civil em várias cidades. Hoje trabalha como jardineiro em prédio de classe alta, no Morumbi. Aborrecido com a paisagem cinza da favela, fez um jardim em casa. Suspenso. De concreto e ferro, a casa é formada por arcos que se entrelaçam, revestidos de materiais coloridos. Paredes
sinuosas; escadas irregulares. Decorou com pedrinhas, tampas de garrafa, cacos de ladrilhos, cacos de vidro. Cômodo enfeitado com estrelas recortadas de madeira e pintadas à mão; mesa feita de pratos e xícaras; bules se transformam em lustres. Solário de ervas e flores: bromélias, lírios-da-paz, antúrios, orquídeas. O trabalho de 17 anos, segundo Estevão, não acabou. A casa atraiu curiosos, arquitetos, jornalistas. Estevão passou a ouvir falar de "um tal de Gaudí", arquiteto espanhol que virou sinônimo de excentricidade pelas construções de formas orgânicas espalhadas por Barcelona. Em 2001, o cineasta brasileiro Sergio Oksman, que vive na Espanha, conheceu o trabalho de Estevão. Apresentou-o aos organizadores dos comemorativos dos 150 anos de Antonio Gaudí (1852-1926). A convite do Centro de Estudos Gaudinistas, Estevão embarcou para Barcelona e virou estrela do documentário Gaudí na Favela, de Sergio. O que importa é que o nosso artista constrói sua habitação com amor.
ETEVÃO EM SUA CASA. Foto: Eduardo Knapp/Folha Imágem.
m meio a barracos sem reboco, uma habitação se destaca na favela de Paraisópolis, capital paulista:
23
____________________________________DIA DA INJUSTIÇA
SALVADOR DA PÁTRIA
SÉRGIO MIRANDA. Foto: Reprodução/EA.
O Para-Sar (Primeira Esquadrilha Aeroterrestre de Salvamento) era um grupo de elite da Força Aérea Brasileira treinado para missões de busca e resgate. Seus homens protagonizavam ousadias humanitárias e rasgos de heroísmo.
Em 1969, um de seus oficiais é castigado por recusar o cumprimento de uma ordem ilegal. Sérgio Miranda de Carvalho, ou Sérgio Macaco, é expulso da FAB e cassado com base no AI-5 (Ato Institucional nº 5). Motivo: denunciar aos superiores plano de atentados que integrantesda Aeronáutica realizariam, para atribuir a guerrilheiros de esquerda.
Os atos culminariam com a explosão do Gasômetro
do Rio. O plano incluía a execução de militantes e políticos como Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda.
Sérgio sofreu penas de prisão disciplinar, transferências para distantes paragens e proibição de pilotar. Passou anos concentrado no obsessivo esforço de obter sua reintegração nas Forças Armadas. Em 1979, incluído entre os beneficiários da anistia, rechaçou-a.
"Anistia é para quem cometeu crimes, e eu não cometi crime algum."
A reparação só veio depois de sua morte, ocorrida em fevereiro de 1994. Sua família foi indenizada, e Sérgio, promovido a brigadeiro.
25
_______________________________________________DIA DO FEIRANTE
PARA ALGUMA COISA SERVIU CARREGAR CAIXOTES
Bairro do Brás, São Paulo. Lugar modesto, de pe-quenos comércios. Em dias de feira, o carregar e descarregar de caixotes, com sol ou chuva. O rapazinho introvertido ajudava o pai. Dividido entre a feira, o curso de Direito e o desejo de ser ator, entrou na Escola de Artes Dramáticas. Dedicado, concentrado, venceu a timidez, foi à luta e hoje coleciona mais de três dezenas de personagens, em novelas.
Francisco Cuoco mudou a própria história. Começou no teatro em 1957, acumulou títulos e prêmios. Mas fixou-se na televisão, a partir do sucesso em Redenção (1966), na extinta Excelsior.
Bonito, físico perfeito por ter carregado caixotes na feira, logo virou um dos maiores galãs da televisão brasileira. Chegou à Globo em 1970, para atuar em Assim na Terra Como no Céu, e firmou-se como ator. Marcou época, interpretando papéis centrais, em novelas de grande audiência. Selva de Pedra (1972); Pecado Capital (1975); O Astro (1977); O Outro (1987); O Salvador da Pátria (1989); A Próxima Vítima (1995); e uma infinidade de outros trabalhos.Com dezenas de novelas no currículo,
FRANCISCO CUOCO. Foto: Italo Sani/ABI
interpretando galãs e vilões e colecionando personagens inesquecíveis como o Herculano Quintanilha (O Astro) ou o Carlão (Pecado Capital), Francisco Cuoco entrou para a história da televisão brasileira.