NOVEMBRO NOVEMBRO NOVEMBRO NOVEMBRO NOVEMBRO NOVEMBRO NOVEMBRO
5
__________________________________________________________DIA DA CIÊNCIA
Mário descobriu
o que estava escrito
nas estrelas
NOVEMBRO NOVEMBRO NOVEMBRO NOVEMBRO NOVEMBRO NOVEMBRO NOVEMBRO
A
22
_____________________________________________DIA DA MÚSICA
ferramenta / o dono mandô derrubá.
Chocado com o despejo, em uma noite Adoniran Barbosa compôs Saudosa Maloca, gravada em 1955 pelos Demônios da Garoa. O grupo lançou ainda: Samba do Arnesto; Apaga o Fogo, Mané; Abrigo de Vagabundos; Mariposa; Pafunça e, em 1965, Trem das Onze, um estouro. A coroação de Adoniran como grande sambista.
Nascido João Rubinatto, Adoniran cantou em rádios paulistanas, atuou como radioator, lançou programas em parceria com o amigo e produtor Oswaldo Molles. Em 1946, encarnava 16 personagens em seus programas na Rádio Record.
Adoniran morreu há 20 anos, em 22 de novembro de 1982. Cronista do povo da capital paulista, todo dia percorria ruas e bairros. Conversava com personagens anônimos, descobria histórias. Anotava tudo. Transformava em poesias e canções, reproduzindo expressões, o falar da rua. Dizia:
"Pra escrevê uma boa letra de samba a gente tem que sê em primeiro lugá anarfabeto."
Mas alertava:
"Falar errado é uma arte. Se não, vira deboche."
22
_____________________________________DIA DA LIBERDADE
CALARAM O MÚSICO,
NÃO CALARAM A MÚSICA
28
__________________________________________________DIA DO MÉDICO
EXCLUÍDOS DA PÁTRIA,
PELA PÁTRIA MORRERAM
negros, ex-escravos, representavam 10% dos 123 mil brasileiros que combateram na Guerra do Paraguai (1864-1870). Nosso exército era formado, na maior parte, de trabalhadores livres ou agregados, muitos engajados à força, os ‘voluntários da corda’, pois seguiam amarrados até a batalha.
Escravo não era cidadão. O Império concedeu liberdade aos excluídos da pátria que se alistassem. Vinte mil teriam conseguido, incluindo suas mulheres, também beneficiadas, num país com 2 milhões e meio de escravos, cerca de um terço da população. Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, as nações envolvidas, levaram legiões de negros. Na Companhia dos Zuavos da Bahia, ocorreu um dos raros casos de oficialato, o capitão de cavalaria Marcolino Dias dos Santos, herói da tomada de Curuzu.
Fazendeiros doavam escravos para livrar-se da convocação; o governo imperial cedeu africanos sob sua custódia, pois tinham vindo ilegalmente, depois de 1850, quando foi proibido o tráfico. Estes mal sabiam o que se passava.
O Brasil perdeu entre 20 e 50 mil homens, anônimos escravos e brancos pobres, na mais sangrenta guerra do continente.
29
_______________________________________________DIA DO CAFÉ
Affonso administra um prédio,
mas podia ser uma cidade
Região central da capital paulista. Na Avenida Ipiranga, sua majestade, o edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer no começo dos anos 1950. Depois de muitos contratempos, só em 1966 chegaram os primeiros moradores.
Em 37 andares, com 1.160 apartamentos divididos em seis blocos, vivem 5 mil pessoas. População superior à de 500 pequenas cidades brasileiras. Ali, circulam diariamente 10 mil pessoas, entre moradores, visitantes e passantes, já que o edifício abriga galeria com lojas,
Em parceria com o russo George Gamow, um dos formuladores da teoria do Big Bang sobre a formação do universo, Schenberg fez sua maior descoberta: explicou a formação das supernovas, estrelas que ao explodir brilham com intensidade de galáxia, liberando colossal energia.
Schenberg estudou no Recife e se transferiu em 1933 para a Politécnica de São Paulo. Trabalhou na Europa e Estados Unidos. Introduziu no Brasil cursos de cálculo e computação; e modernizou o ensino de Física, dirigindo o Departamento de Física (hoje Instituto de Física) da Universidade de São Paulo.
Havia também o Mário Schenberg humanista, estudioso da arte e militante político. Foi um dos mais importantes críticos de arte do País e deputado federal pelo PCB em 1946, cassado pouco depois. Sofreu com o golpe militar de 1964, preso até 1965. O eclético Schenberg morreu em 10 de novembro de 1990, aos 76 anos. Dizia:
"Saber que não vou durar para sempre me é consolador. A morte é fator essencial de mudança e fonte de vida."
Rio, 1968. Em meio à opressão da ditadura militar, acontece o III Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho. Uma música leva o público ao delírio: Pra Não Dizer que Não Falei das Flores ou Caminhando, de Geraldo Vandré. Não leva o prêmio. Fica atrás de Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque. A platéia protesta. E a música vaiada vira hino estudantil contra a ditadura.
Vandré transforma-se em mito, reúne multidões. Dura pouco. A censura proíbe a canção sob alegação de ofensa às Forças Armadas. Discos são apreendidos e rádios proibidas de executar Pra Não Dizer que Não Falei das Flores.
A música é carro-chefe da temporada do espetáculo Caminhando, no Teatro Opinião, Rio. Vandré não desiste. No violão, dá apenas a entrada da canção. O público responde:
28
_________________________DIA DO SÍNDICO
Sempre de charuto na mão, simples, acolhedor, avesso a formalismos: descrição de um dos dez maiores físicos do mundo, segundo Albert Einstein na década de 1940. O pernambucano Mário Schenberg trabalhou com dois Prêmios Nobel, o italiano Enrico Fermi e o austríaco Wolfgang Pauli.
no ar: "São Paulo precisa crescer." O progresso provoca desgraça e, da desgraça, nascia um samba:
Si o sinhô não tá lembrado / dá licença de contá / que aqui onde agora está / esse adifício arto, / era uma casa véia / um palacete assobradado. / Foi aqui, seu moço, que eu, Mato Grosso e o Joca / construímo nossa maloca, / mas um dia, nóis nem pode se alembrá / veio os home coás
rianças chorando, pessoas juntando pertences. Tratores preparando-se para demolir mais um cortiço. Um lema

Nas tradições do choro, bebeu o clima, a beleza e os sentimentos brasileiros, aos quais somou o aprendizado nas raízes do samba. Surgiu um trabalho da maior importância para a música popular brasileira. Onde as harmonias atuais sublinham os sons que a alma do compositor resgata dos antepassados. Sons que, em suas mais recentes composições, como Bebadosamba (Bêbado Samba? Beba do Samba?), ou Timoneiro, ou Quando o Samba Chama, deixam claro: o caminho proposto no início da carreira em Foi um Rio que Passou em Minha Vida, ou Sei Lá Mangueira, vem sendo trilhado conforme o planejado. Paulinho se impôs uma meta de trabalho da qual não se afastou. Caminha sempre para frente, sem abandonar a ternura e a poesia, ao contrário de outros de sua geração, cujos discursos desmentem o viés comercial pelo qual optaram. Para felicidade da música popular brasileira.
O que fica claro é a renovação proposta pelas composições de Paulinho, na qual a tradição é básica, fornecendo, porém, a matéria-prima para uma inovação autêntica, que surgiu e caminha à margem de movimentos que nasceram e morreram ao longo deste quase meio século de carreira do compositor. Modas e modismos surgiram, gritaram, espernearam e caíram no esquecimento, enquanto o lirismo, a suavidade, a ternura e o talento do compositor que Cartola elegeu como seu sucessor – um "filho musical" – está aí, vivo, atuante, moderno, registrando o presente e abrindo as portas do futuro a quem pretenda conhecer, entender ou produzir música popular brasileira.

ARLEY PEREIRA é jornalista

Populistas e passadistas são incapazes de pensar a história como processo em que o passado é reconstruído pelo presente, interpelando, dessa maneira, as gerações futuras."
A frase e a posição são de Paulinho da Viola, Paulo César Baptista de Faria, nome e postura de ministro, como deixa claro o genial Batatinha, em samba gestado na sua Bahia. Frase e posição de quem tem os pés, e a arte, a inspiração, a modernidade,
Por ARLEY PEREIRA, especoal para o ALMANAQUE BRASIL
plantados no presente, alicerçados pela cultura dos ancestrais, e iluminando o futuro.
Tido pelos mais desavisados como tradicionalista conservador, imagem errônea e apressadamente captada pelos superficiais "modernistas", Paulinho goza do respeito e amizade de artistas e intelectuais de várias áreas: transita pelas artes plásticas, pela política, pela literatura, com a mesma elegância e desenvoltura com que faz e apresenta suas composições. Isso já ficou claro desde a consagração de Sinal Fechado, vencedor do V Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record de São Paulo, em 1969, plena efervescência da mais fértil geração musical do século 20. Uma guinada de 180 graus, de quem já mostrava que de tradicional e conservador nada tinha. Um criador que vai buscar no passado lições do presente a serem repassadas para o futuro.
HOMENAGEM A PAULINHO DA VIOLA
12 DE NOVEMBRO DE 2002 (60 ANOS)
Música simples, com apenas dois acordes.
O ano 1968 não acabava mais. Em 13 de dezembro, o governo decreta o AI-5, Ato Institucional que endureceu o regime. Vandré deixa o País. Perde sua liberdade. No exílio, inicia o silêncio. Em 1973, retorna. Como anônimo, passa a andar pelas ruas de São Paulo.
"Comecei a viver exilado no meu próprio País."
O jornalista Sérgio Cabral definiu:
"Trata-se do mais dramático exemplo de intolerância da ditadura com a música popular nesses anos de tristeza."
ns viraram heróis, outros se sacrificaram sonhando com liberdade. Houve os que nem sabiam o que estavam fazendo. Soldados
s grãos, apanhados manualmente, recolhidos e peneirados, seguem para a tulha em jacás de palha trançada, sobre
lombo de burro. No terreiro, secam por 20 dias, revirados a cada meia hora com rodos de madeira, para que cada lado do grão receba sol. Ao menor
sinal de chuva, são cobertos. A lavagem se faz em canaletas, com água que vem da serra. Última secagem, peneirada, e pronto: o café pode ser torrado e moído.
Na era do computador, na Fazenda Santa Rita, em Joanópolis, a 100 quilômetros da capital paulista, a mais recente inovação tecnológica foi a troca do moedor manual por um elétrico.
"Produzimos café do mesmo jeito que no século 19", diz Beth Izzo, que toca os negócios com o marido Rubens. Há cinco gerações a família produz café do mesmo jeito, na centenária fazenda, sem fertilizantes químicos ou agrotóxicos. Chegam ao requinte de escolher lenha especial para a torração:
"Ela não pode passar cheiro para o café", explica Rubens. Vendem a produção, limitada, na região de Atibaia e em casas de produtos orgânicos. Inevitável, depois da visita, querer um café com bolo de fubá.

Serviço – A fazenda recebe escolas e turistas interessados em conhecer o processo. Informações pelo telefone (11) 4539-6005.

restaurantes, serviços e até igreja. É como uma cidade, administrada por um síndico. Para muitos, um verdadeiro prefeito.
Morador há 40 anos, e desde 1993 no comando do Copan, Affonso Prazeres de Oliveira não pára um minuto. Organizar a convivência de milhares de pessoas não é coisa simples. "O que mais nos faz perder tempo são as discórdias entre vizinhos, na maioria das vezes por causa do barulho."
Aos 63 anos, walkie-talkie na mão, Affonso comanda um batalhão de 105 funcionários, que trabalham na manutenção. Nem sempre foi assim. Nos anos 1970 o edifício tinha fama de ponto de prostituição e tráfico de drogas. Estava associado à moradia apenas de transexuais, homossexuais e travestis.
"Hoje, não existe mais discriminação nem preconceito. Todos vivem em paz, em harmonia e com disciplina. Acredito que a maioria dos moradores, inclusive eu, têm orgulho em dizer que mora no Copan."