61 – Abril de 2004

24…………………………………………..Dia do Talento

GÊNIO DA PINTURA SE REVELA 30 ANOS DEPOIS DE SUA MORTE


Duas Mulheres, 1925

Versátil pintor, desenhista, cenógrafo e poeta, Ismael Nery não viveu o reconhecimento de sua obra. Paraense de Belém, nasceu em 1900 e morreu jovem, aos 33 anos, a 6 de abril de 1934, de tuberculose.

Na infância, muda para o Rio, onde pinta mais de cem quadros. Aos 16 anos, na Escola Nacional de Belas-Artes, aprende pintura e desenho. Três anos depois, na França, entra em contato com novas técnicas, do Modernismo ao Renascentismo. Em 1921, de volta ao Brasil, é nomeado desenhista no Ministério da Fazenda. Conhece o poeta Murilo Mendes (1901-1975), incentivador e amigo. Em 1922, casa com Adalgisa Nery, com quem tem dois filhos.

Diferente dos artistas de sua geração, não pinta temas nacionalistas. Prefere a figura humana, retratos, auto-retratos, nus. Em 1927, seus quadros ganham cores mais vivas e maior leveza.

Descobre-se doente, em 1930. Personagens surgem flagelados e feridos, em cenários vazios. O tema da morte é freqüente. Escreve poemas, mas destrói a maioria. Fez duas exposições individuais, mas vendeu apenas um quadro.

Só em 1965 o público conhece a obra de Nery. Murilo Mendes, quebrando promessa de não a divulgar, inclui telas na 8ª Bienal de São Paulo. Passa a ser considerado um dos maiores pintores da América Latina. O escritor Mário de Andrade escreveu, em 1928: Alguns dos quadros me parecem dos mais notáveis que o Modernismo brasileiro produziu.