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25 – Abril de 2001

16…………………Dia da Voz

DIA DE SIMONE, ELBA, NANA, LENY, CLARA, LECI, IVONE…

Por Martinho da Vila

Pela fala se pode conhecer o interior da pessoa. Falar é importante pra todo o mundo, mas é fundamental para diplomatas, atores, radialistas, professores, palestrantes, advogados. Dependendo do caso a fala, para ser convincente, deve ser enérgica, doce, melancólica ou alegre.
Como instrumento musical deve ser cálida como a de Marisa Monte ou possante como a da Alcione, mas tem sempre de trazer uma grande carga de emoção. Há vozes másculas agradáveis, mas as fêmeas é que fazem bem aos meus ouvidos e a palavra VOZ é feminina e, portanto, na minha ótica, 16 de abril é dia de Beth Carvalho, com seu timbre único; de Nana Caymmi, com seu uteral som aveludado; de Leila Pinheiro, atual representante da bossa nova; de Leci Brandão com sua cadência carioca e de Elba Ramalho com sua nordestinidade. É dia também da supertécnica Leny Andrade, da sensual Ithamara Koorax, da malemolente Dona Ivone Lara e da bela soprano Elizete Gomes, aquela emocionante solista lírica que encantou o Teatro Municipal do Rio de Janeiro no Concerto Negro. Esta mineira me faz sentir saudade da sua conterrânea Clara Nunes e seu nome traz-me à mente a imagem da xará Elizeth Cardoso, a Divina. Por falar em saudade, hoje é dia de Nara Leão, de Elis Regina, de Clementina de Jesus.

A Bahia nos deu a fina Gal, a possante Bethânia, a eletrizante Daniela Mercury e tantas outras que também admiro, mas, com licença delas, dedico este dia a Simone Bittencourt de Oliveira, a mais carioca das baianas, por cuja voz sou apaixonado.

– Simone, minha nega, o que é importante para ser, além do dom divino, uma grande cantora?
– Acreditar nos seus sonhos e suas vontades. Tem o fator sorte que conta muito, porém o mais importante é ter perseverança, uma dedicação total e poder contar com grandes compositores ao lado, como você, Martinho.
– Quais são os cuidados principais que você toma antes de entrar num palco?
– Evito ao máximo tomar gelado e, acima de tudo, vento. Vento é sempre destruidor. Rezo antes de entrar em cena e peço a Deus que me permita que toda a luz, as emoções e sentimentos que recebo d’Ele no palco eu possa transmitir, passar para a platéia. Peço para poder imprimir – como uma tatuagem virtual – no coração das pessoas um pouco de luz e alegria.
– E para entrar num estúdio e colocar a voz?
– Para gravar fico o mais isolada possível. Cuido da saúde porque estúdio não é fácil, e quando me ouço procuro prestar atenção na emoção. Na maioria das vezes o primeiro registro de voz em uma música é a gravação melhor, a mais bonita, porque a emoção está presente de uma forma muito forte.
– Se você pudesse conversar com a própria garganta, o que diria para sua bela voz?
– Eu adoro você!
Obrigado, amiga, por você existir, e que São Brás proteja sua garganta.


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