36 – Março de 2002


YAMANDÚ DIZ QUE SEU LUGAR É AQUI. OBA!

“Você vai ser grande, vai ser importante, sua música tem muito a fazer pela música brasileira.” O violonista Yamandú Costa tinha 16 anos quando Baden Powell lhe previu o futuro. Cinco anos depois, o menino prodígio já é ídolo. O primeiro disco, Yamandú, da gravadora Eldorado, afirma-o como grande revelação da música instrumental brasileira.

O cd, produzido por Maurício Carrilho, é obra-prima. O repertório de 13 músicas, sete assinadas pelo violonista, conta com convidados ilustres. O clarinetista Nailor Proveta, o violoncelista Hugo Pilger, o flautista Toninho Carrasqueira, o trompetista Silvério Pontes, o trombonista Zé da Velha, o percussionista Oscar Bolão, entre outros.
Um duo com o bandolinista Armandinho, em Bahia x Grêmio, parceria de ambos, prova a intimidade do jovem com o violão. Emocionante o trio com Maurício Carrilho e a cavaquinista Luciana Rabello, em Meu Avô, de Rafael Rabello. A delicada modinha Mariana mostra a qualidade de Yamandú compositor.

Gaúcho de Passo Fundo, o jovem vem de família dedicada à música. Freqüentava palcos aos quatro anos, cantando. Aos sete, pegou o violão. Mostrando talento com o instrumento, conquista mais de 20 prêmios em festivais. Na adolescência, encanta-se por Radamés Gnatalli. Conhece Rafael Rabello e Baden Powel. Em 1998, vem para São Paulo. Conhece músicos, corre atrás do sucesso. Mora hoje no Rio. Toca no Brasil inteiro. Em breve o mundo irá conhecê-lo. Mas quando perguntam se pensa sair do País, é categórico:

“Nem pensar. Hoje já se pode trabalhar bem por aqui. O pessoal está meio cansado de ouvir baboseira. O público não tem gosto ruim, ele só precisa ter acesso a mais coisas. Quero ir a Pernambuco tocar frevo, ir ao Maranhão aprender o boi-bumbá. Melhor que sair e ficar fazendo graça para gringo.”