106 – Fevereiro de 2008


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Modernizar o passado é uma evolução musical. A frase desta figura enigmática sintetiza sua obra, das mais inventivas que surgiram em nossa música nas últimas décadas. Na juventude, Francisco de Assis França, olindense nascido a 13 de março de 1966, catava caranguejos no mangue para vender em feiras livres.
Fã de soul music, hip-hop, funk e rock, participou em Recife de grupos de dança de rua e de música; mas nenhum deles vingou. Até que, em 1991, conheceu o bloco afro Lamento Negro. Impressionado com a percussão imponente do grupo, descobriu que ritmos tradicionais como a embolada, o coco e o maracatu podiam casar bem com os sons internacionais que apreciava. Juntou-se ao bloco e organizou-se com outros grupos pernambucanos em um movimento cujos objetivos foram expostos no manifesto Caranguejos com Cérebro. Diz um trecho: Em meados de 91, começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um núcleo de pesquisa e produção de idéias pop. O objetivo era engendrar um circuito energético, capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop. Imagem símbolo: uma antena parabólica enfiada na lama.
O primeiro disco, lançado em 1994, impressionou crítica e público. Rodaram Brasil, Europa, Estados Unidos. Mal havia saído o segundo quando um acidente automobilístico lhe tirou a vida, aos 30 anos de idade, em 2 de fevereiro de 1997. Hoje, dá nome a uma movimentada avenida em Olinda.(Rafael Capanema)