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Na época em que homens dominavam a política, uma senhora de 41 anos, usando uma caneta banhada a ouro, assinava um dos documentos mais importantes da história, a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888. E, até hoje, o fato permanece único: uma mulher governar o Brasil.

Nascida em 1846 no palácio de São Cristóvão, Rio de Janeiro, canhões do Morro do Castelo anunciaram a chegada da princesa. Os festejos duraram sete dias. Era a segunda filha de Pedro II e Teresa Cristina Maria de Bourbon. Com a morte dos irmãos Afonso e Pedro, tornou-se herdeira do trono e recebeu o título de Princesa Imperial. Foi criança virtuosa e inteligente. Mocinha esguia, bem vestida e penteada, usava dois brilhantes que realçavam os cabelos acastanhados e a beleza quase infantil. Casou com Luís Filipe Gastão Orleans, o Conde d’Eu, com 18 anos, em 1864. Tiveram três filhos: Pedro de Alcântara, Luís Filipe e Antônio Gastão.

Assume por três vezes o governo do Império, como regente, durante viagens do imperador. Na primeira, aos 25 anos, sanciona a Lei do Ventre Livre, que liberta filhos nascidos de mãe escrava. Na terceira regência, de 5 de janeiro de 1887 a 22 de agosto de 1888, sancionou a lei que abolia a escravidão negra. Por esse ato, o papa Leão XIII condecorou-a com a Rosa de Ouro. Ao saber da assinatura da Lei Áurea, d. Pedro mandou telegrama à filha:
Abraço à Redentora.

José do Patrocínio, orador popular da libertação, escreveu:
Os reis criam princesas. O Imperador criou uma mulher.

Em novembro de 1889, a República é proclamada. Junto com a família, segue para o exílio.

É com o coração partido de dor que me afasto de meus amigos, de todos os brasileiros e do país que tanto amei e amo, para cuja felicidade esforcei-me por contribuir e pela qual continuarei a fazer os mais ardentes votos.

Morreu em 1921, na França. Contam que ainda no navio que a levava para o exílio, disse ao abolicionista Rebouças:

“Se houvesse ainda escravos no Brasil, nós voltaríamos para libertá-los.”