No início do século 20, o cinema Odeon, no Rio, oferecia concertos de piano antes das sessões. Espectadores abarrotavam a sala de espera. De fraque e colarinho duro, o pianista executava suas composições. Em 1921, compôs o célebre tango-brasileiro Odeon, dedicado ao cinema.
Nascido no Rio em 1863, aprendeu a tocar no piano da mãe. Compôs a primeira música aos 14 anos, a polca-lundu Você Bem Sabe.
Em 1893, lança Brejeiro, composição que introduz novo gênero, o mencionado tango-brasileiro. Dificuldades financeiras obrigam-no a vender os direitos por 50 mil-réis, à casa Vieira Machado. A música faz enorme sucesso no Brasil e na Europa – foi incluída no repertório da Guarda Republicana de Paris.
Em 1920, na Casa Carlos Gomes, executa partituras pedidas por fregueses. Clientes faziam demonstrações na frente do compositor. Exigente, não admitia que suas músicas fossem “maltratadas”. Mandava o possível comprador parar com a execução.
Em 1930, grava Apanhei-te, Cavaquinho, primeira música a ser apresentada sob a denominação de “choro”. Já tocava debruçado sobre o piano, devido à surdez.
Aos 70 anos, manifesta sinais de perturbação e o internam numa colônia para doentes mentais. Durante uma tentativa de fuga, morre afogado. Seu corpo é encontrado em 4 de fevereiro de 1934.
Também escreveu valsas, polcas e choros, entre cerca de 200 composições para piano. Abrasileirou gêneros estrangeiros, ao transpor para o piano peças escritas para instrumentos populares entre nós: flauta, violão, cavaquinho, oficleide, bombardino.
Villa-Lobos o definiu como “a verdadeira encarnação da alma musical brasileira”.