105 – Janeiro de 2008


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Agonia; Felicidade Infeliz; Marcada; Meu Mundo Caiu; Rindo de Mim; Tarde Triste. Os títulos das músicas já indicam o repertório carregado de melancolia. Intérprete magistral do gênero conhecido como dor-de-cotovelo, ela não se melindrou em juntar-se à turma do amor, do sorriso e da flor que conduzia os primeiros passos da bossa-nova. Foi a primeira cantora a divulgar o novo estilo fora do País, apresentando-se na França, nos Estados Unidos e em Portugal.
Descendente de uma família rica do Espírito Santo, nasceu em São Paulo, mas viveu a maior parte da vida no Rio. Envolveu-se com a música ainda criança. Tocava piano e, aos 12 anos, escreveu o samba-canção Adeus.
Com o hábito de tirar os sapatos para cantar, ficou conhecida como “condessa descalça” no exterior. Independente e geniosa, não aceitava interferências da gravadora em suas escolhas de repertório. Além de dar voz a músicas de grandes como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Ronaldo Bôscoli e Adoniran Barbosa, firmou-se como compositora. Em seu primeiro disco, de 1956, só gravou músicas próprias. Na década de 1970, passou a escrever trilhas sonoras para teatro e televisão.
Manuel Bandeira definiu seus olhos verdes como “dois oceanos não-pacíficos”. Dizem que quando lhe pediam para sorrir diante das câmeras fotográficas, disparava: “Por que sorrir? Não há motivo para tal. Eu não sou feliz.”
Em 22 de janeiro de 1977, seguia de carro pela ponte Rio-Niterói para a casa do crítico Ricardo Cravo Albin, em Maricá, quando um acidente lhe tirou a vida. Tinha apenas 40 anos. (Rafael Capanema)