PAMPULHA

Cartão de visita de Belo Horizonte

{outubro de 2005}

Perto do centro, situado no bairro que JK remodelou, o aeroporto da Pampulha, ou Carlos Drummond de Andrade, é testemunha do crescimento da capital mineira.

Pampulha: o bairro projetado por Niemeyer engoliu o aeroporto.

O vôo do Electra I da Panair, que levou o governador Benedito Valadares e seu secretário ao Rio de Janeiro, inaugurou, em 23 de março de 1937, o aeroporto de Belo Horizonte. É o que se costuma afirmar. Na verdade, aquela instalação na então distante região da Pampulha recebia aeronaves do Correio Aéreo Militar desde 1933. Era uma das 14 escalas da “linha de São Francisco”, que ligava o Rio a Fortaleza.
O aeroporto cresceu. Passou a operar vôos comerciais. Acolheu passeios domingueiros das famílias mineiras. Foi porta de entrada para visitantes célebres, de presidentes da República até o papa João Paulo II.
Integrado à paisagem e à memória da cidade, em 2004 recebeu o nome de um dos mais ilustres filhos do povo mineiro: Carlos Drummond de Andrade. Justa homenagem.

O Local planejado para o aeroporto, nos anos 1930.


No coração da cidade
A antiga pista do Aeroporto Carlos Drummond de Andrade foi construída sobre um pântano, em época na qual a aviação dependia mais da perícia dos pilotos que do bom funcionamento dos instrumentos. É de Gerson Sabino, um dos fundadores do Aeroclube de Minas Gerais, a descrição:
“A navegação era feita no que se chamava de ‘olhômetro’. Os pilotos procuravam não perder de vista o Rio São Francisco. E, ao chegar a Belo Horizonte, guiavam-se pelas luzes da cidade. Não havia iluminação no aeroporto.”
Muita coisa mudou. A cidade engoliu o bairro. Em 1943, o prefeito Juscelino Kubitschek inaugurou o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Pampulha, projeto de Oscar Niemeyer com jardins de Burle Marx e painel de Portinari. O aeroporto, a apenas 9 quilômetros do centro da capital mineira, proporciona comodidade aos passageiros; mas não pode mais expandir.
Para atender à crescente demanda, em 1984 foi inaugurado o Aeroporto
Internacional Tancredo Neves. Em 2005, voltou a operar vôos comerciais que estavam na Pampulha, que, por sua vez, agora serve apenas a aviação regional e executiva.


Vaca na pista
Diocésio Reis da Silva é memória viva do Aeroporto Carlos Drummond de Andrade. Passou na Pampulha 60 de seus 72 anos. Quando entrou, em 1944, fazia de tudo: limpava aviões, reservava passagens, dispunha lampiões na pista. “Só não pilotei”, brinca. Estava lá em 1954, quando a barragem da Lagoa da Pampulha se rompeu e inundou o aeroporto. Os vôos foram todos transferidos para uma pista de terra em Lagoa Santa.
No ano seguinte testemunhou o episódio em que uma vaca invadiu a pista e, atropelada por um avião, travou-lhe o trem de pouso.  “O piloto teve de pousar de barriga. Felizmente, não houve vítimas.”
Hoje na gerência do Atendimento ao Passageiro da TAM, no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, Diocésio diz que, de todas as posições que ocupou no aeroporto, só há uma que realmente não aprecia: a de passageiro. “Não gosto nem um pouco de viajar.”

Da Redação
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