2 DE DEZEMBRO – DIA DO SAMBA

Problema para Ismael

Como desmaxixar o desfile?

{dezembro de 2001}

Ismael Silva

Rio, 1927. O sambista Bide visita Ismael Silva no hospital. Leva pro­pos­ta do cantor Francisco Alves, que pretende comprar um samba.
“Sair um samba meu gravado pelo Francisco Alves era es­pan­to­so. Aque­la era minha chance. Vendi”, contaria Ismael.
O acordo selou parceria de sucesso e sagrou Ismael com­po­si­tor. Nas­ci­do na praia niteroiense de Jurujuba, em 1905, foi no Estácio de Sá que Ismael viveu grande parte da vida. Fre­qüen­ta­va a ma­lan­dra­gem e con­vi­via com sambistas como Mano Ed­gar, Bran­cu­ra, Mano Rubens, Nilton Bastos.
“A partir do meu meio social, fiz uma música – a primeira, aos 14 anos – Já Desisti. A temática era o Estácio, seus ha­bi­tan­tes, seu modo de vida. A ma­lan­dra­gem, o amor.”
Em 1928, com sam­bis­tas do Estácio, fundou a Deixa Fa­lar, pri­mei­ra escola de samba do Rio. Fo­ram res­pon­sá­veis pela for­ma que o sam­ba tem, mais dis­tin­to do maxixe, com ritmo mais mar­ca­do e ca­den­ci­a­do, para fa­ci­li­tar a evolução dos fo­li­ões que des­fi­lam.
“A gente precisava de um samba para mo­vi­men­tar os bra­ços para a fren­te e para trás du­ran­te o desfile. A gen­te pre­ci­sa­va de um sam­ba de sam­bar.”
A transação com Fran­cis­co Alves resultou em su­ces­sos como Me Faz Ca­ri­nhos e Amor de Ma­lan­dro. Ismael com­pro­me­tia-se a dar ex­clu­si­vi­da­de ao can­tor, que cons­ta­va como au­tor. O gran­de êxi­to foi Se Você Ju­rar, em par­ce­ria com Nilton Bastos, de 1931, can­ta­do em du­pla por Fran­cis­co Alves e Má­rio Reis.
Com Noel Rosa, Ismael ini­ciou parceria em 1932. O pri­mei­ro sam­ba, Para Me Livrar do Mal, foi gravado por Fran­cis­co Alves. Fi­ze­ram ainda Adeus, Ando Cismado e A Razão Dá-se a Quem Tem.
Ficou afastado do meio artístico por longo período. Voltou a se apre­sen­tar em 1954 nos shows da Velha Guarda produzidos por Al­mi­ran­te. Nos anos 1960, ressurgiu no restaurante Zicartola. A úl­ti­ma aparição no palco foi em 1974, no es­pe­tá­cu­lo Se Você Ju­rar, estreado no Teatro Paiol de Curitiba. Ao final da vida, sua discografia acumulava, com raras regravações, 85 títulos. Mor­reu aos 72 anos, em 1978.

Janaina Abreu
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