8 de novembro – dia do futebol profissional

De presidente, cego e louco, o Alecrim tem um pouco

{novembro de 2009}

Alecrim em 1968: contra o Sport, time recebeu o reforço de Garrincha, primeiro jogador agachado, da esquerda para a direita

Em 15 de agosto de 1915, em pleno bairro do Alecrim, um grupo de jovens fundava um dos times mais tradicionais de Natal: o Alecrim Futebol Clube. Entre esses jovens – quem diria? –, estava Café Filho, talvez o único jogador de futebol do Brasil, quiçá do mundo, a trocar os gramados do esporte bretão pela poltrona confortável – imagina-se – de Presidente da República. Café Filho era um goleiro mediano.
Depois do goleiro presidenciável, o Alecrim seguia sua rotina de jogos sem muita expressão, até que, em 1925, levantou o caneco de campeão de maneira invicta, fato inédito entre os clubes de futebol da cidade. Como naquela época o Alecrim era formado basicamente por negros e descendentes de índios, os caras do ABC e América, que eram times das elites, dissolveram a federação de futebol para que o campeonato fosse invalidado.
Trinta e oito anos passaram até o segundo título, que veio em 1963, com o técnico Geléia, numa vitória contra o ABC. No ano seguinte Geléia deixou o clube, dando lugar a Pedro 40, que garantiu o bicampeonato contra o mesmo adversário.
Em 1968, outra façanha: o esquadrão esmeraldino venceu o campeonato estadual de ponta a ponta. Mais uma vez, invicto. Embalados pela conquista, nesse mesmo ano a torcida do Alecrim ganharia mais um presente. Num amistoso contra o Sport, de Recife, o gênio das pernas tortas, Mané Garrincha, vestiu a camisa 7 do clube alecrinense. Apesar da derrota por 1 a 0, aquele 4 de fevereiro ficou para sempre na história do Alecrim.
Nos anos 1980, um dos torcedores mais fanáticos do Alecrim era cego. Chico Araújo ia “ver” os jogos munido de seu radinho de pilha. Não perdia uma única partida que fosse. De goleiro presidente a torcedor cego, até Garrinha tirou uma onda pelos gramados alecrinenses. Vida longa ao escrete esmeraldino!

Saiba Mais Confira outras informações sobre o Alecrim em www.overmundo.com.br

Filipe Mamede, de Natal-RN – OVERMUNDO
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