CENTENÁRIO DE FRANCISCO REBOLO (1902-1980)
artista plástico. Na década de 1930, fato curioso uniu as duas atividades. Pintor já conhecido e jogador do Juventus, um amigo, dirigente do Corinthians, convida-o para criar o emblema do clube. Símbolo definitivo, ícone nacional.
Filho mais novo de uma família de imigrantes espanhóis,

ebolo viveu intensamente duas trajetórias
diferentes. Primeiro, jogador de futebol. Depois,
Assim podemos resumir a definição
de Jorge Amado para um dos mais importantes paisagistas nacionais, homem de duas artes: emocionou pintando e jogando futebol. Espontaneamente,
com a marca do amor e do entusiasmo.
Francisco Rebolo Gonsales nasceu em São Paulo, em 22 de agosto de 1902. Aos 13 anos, o primeiro contato com pincéis e tintas. Aprendiz de decorador, trabalha em restauro de igrejas e passa a executar projetos de decoração em residências.
Desde menino, jogava na várzea. Bom de bola, 1m60 de altura, rápido e certeiro, aos 15 anos estréia na Associação Atlética São Bento, mas continua fiel à arte. Em 1922, Centenário da Independência, vai para o Corinthians. Ponta-direita, conhecido como Formiguinha, conquista o título de Campeão do Centenário.
Em 1934, 32 anos, pendura as chuteiras e dedica-se exclusivamente à pintura: um dos maiores nomes da arte brasileira
moderna. "Antes da pintura, o futebol já tinha marcado minha vida. Como no futebol, acho que na arte a gente deve fazer coisas espontâneas, com a marca do amor e entusiasmo, para poder se emocionar e emocionar as pessoas."

Santa Helena, o grupo
Em 1933, transferiu o ateliê para um prédio solene, o Edifício Santa Helena, na Praça da Sé, centro da capital paulista.
São Paulo crescia. Fábricas, chaminés, arranha-céus.
Rebolo volta-se para a vida à margem da metrópole. Pinta o cotidiano das periferias distantes, dos bairros proletários,
as casas nos morros. O ateliê vira ponto de encontro: Mário Zanini, Fúlvio Pennacchi, Clóvis Graciano. Alugam sala ao lado. Outros chegam. Aldo Bonadei, Manuel Martins, Alfredo Volpi, Humberto Rosa, Alfredo Rullo Rizzotti. A geração conhecida como Grupo Santa Helena. O primeiro núcleo de artistas paulistas trabalhando em conjunto e criando uma nova tendência na arte brasileira.
"Éramos meia dúzia de amigos, cujo traço comum era não gostar dos
acadêmicos e querer a pintura verdadeira, que não fosse anedótica ou narrativa. A pintura pela pintura."

Pequeno grande pintor
"Mestre da geração de mestres", como definiu
Jorge Amado, Rebolo foi empreendedor. Construiu mostras coletivas abertas ao público, dando oportunidade aos "artistas operários".
Em 1936, conquista a medalha de ouro no III Salão Paulista de Belas-Artes. Em 1954, a chance de aperfeiçoar-se: Prêmio de Viagem ao Exterior. Viveu dois anos com a família na Europa. Tomou contato com o cubismo e passou a estruturar suas paisagens com rigor na distribuição das formas. Ganharam importância a cor, a textura, os volumes.

Na volta, expõe seus trabalhos europeus no Museu de Arte Moderna. Dedica alguns anos à gravura, retorna à cor e às telas. Um "anel lírico", como definiu o poeta Walmir Ayala. Rebolo e sua obra amadureceram.
A produção da maturidade é um retorno ao início. A depuração atinge
o auge na década de 1970.
"O dia em que não pinto, não vivo.
É um dia perdido!", dizia. Até o final da vida, em julho de 1980, foi um perfeito pintor artesão, simples e sensível, como sua obra.
Sérgio Milliet dizia que, embora pequeno, Rebolo era um grande pintor.
Para Jorge Amado, "…um grande mestre, de uma extrema dignidade artística, de uma consciência que se nutre de orgulho e humildade – por ter sido ele um dos homens que abalaram estruturas e colocaram as bases da arte contemporânea no Brasil".