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109 - Maio de 2008

 

8................dia mundial dos meios de comunicação

NO IMPÉRIO DE CHATÔ
“Se a lei é contra mim, vamos ter que mudar a lei”


CHATÔ (À DIREITA) ACOMPANHA A CHEGADA DOS EQUIPAMENTOS DA TV TUPI.


Na inauguração da TV Tupi, primeira emissora do Brasil, Assis Chateaubriand promoveu um jantar para alguns dos homens mais ricos do País: banqueiros, comerciantes, fazendeiros, industriais. Antes que começasse a comilança, anunciou mudança de planos: leiloaria entre os presentes os itens do banquete – cabrito, leitão, coelho assado – e os mandaria “para alimentar o time Associado que está lá, trabalhando pelo progresso das comunicações no Brasil”. O dinheiro arrecadado seria doado ao Masp, para comprar obras de arte. Aos ricaços, mandou servir sanduíches de mortadela e guaraná. Excêntrico e visionário, Chateaubriand construiu um dos maiores impérios de comunicação que o País já viu: sob o conglomerado Diários e Emissoras Associadas, chegou a ter mais de 100 veículos, entre jornais, revistas, emissoras de rádio, estações de televisão, agência de notícias e editora. Nada mal para quem só aprendeu a ler e escrever aos 9 anos e foi gago até os 10. Com essa idade Chatô deixou a terra natal – Umbuzeiro, nA Paraíba – para viver em Recife. Começou a carreira de jornalista aos 15 anos, na Gazeta do Norte. Aos 20, formou-se na Faculdade de Direito de Recife. Em artigos no Jornal do Recife e no Diário de Pernambuco, comprou brigas com ninguém menos que Rui Barbosa e Sílvio Romero. O atrevimento fez seu nome chegar à capital federal, para onde se mudou em 1917.

No Rio, começou a colaborar com o Correio da Manhã e foi galgando postos até chegar à direção de O Jornal, em 1924. Daí não parou mais: fundou a revista O Cruzeiro, a rádio e a TV Tupi e até um museu, o Masp. Para superar eventuais obstáculos, seus métodos incluíam chantagens e mentiras deslavadas contra inimigos. Em 1942, brigava na justiça com a ex-mulher pela guarda da fi lha Teresa. Em conversa com seus advogados, esbravejou: “Será que toda lei neste País foi feita para me prejudicar? Se a lei é contra mim, então, meus senhores, vamos ter que mudar a lei!”. Contando com a ajuda de aliados próximos ao presidente Getúlio Vargas, comemorou a publicação do decreto número 5213 no Diário Ofi cial. Feito sob medida para Chatô, fi cou conhecido como Lei Teresoca. Figura carimbada nos círculos do poder, manteve relações próximas com os presidentes que se sucederam. Em 1952, foi eleito senador pela Paraíba e, cinco anos depois, nomeado embaixador do Brasil na Inglaterra. Fazendo questão de quebrar o rígido protocolo britânico, promoveu festanças abastecidas com o melhor da comida e da bebida nordestina. Vítima de uma trombose, passou a viver sobre uma cadeira de rodas a partir de 1960. Continuava a redigir seus artigos – foram quase 12 mil ao longo da vida – numa máquina de escrever adaptada. Aos poucos, os Diários afundavam em quedas brutais de vendas e vultosas dívidas, até a morte de Chatô, em 1968, aos 75 anos.(RC)

SAIBA MAIS
Chatô: o rei do Brasil, de Fernando Morais (Companhia das Letras, 1994).



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