Banner
Catador de papel montou Mini Cine Tupy na garagem E-mail
Escrito por Angela Pinho   

5 de novembro - dia nacional do cinema

O paulista de Guariba José Luiz Zagati gostava de cinema desde os 5 anos, quando entrou num pela primeira vez. Mas não se contentava em ser apenas mais um espectador: queria ter a própria sala. Aos 12 anos, construiu um projetor com lentes de óculos, manivela e lanterna de pilha. Tempos depois, desempregado, virou catador de papel. Deu sorte. Encontrou no lixo pedaços de filme e a carcaça de um projetor. Remontou, mas não funcionava. Achou outro, inteirinho, no centro de São Paulo, surpreendentemente barato: 80 reais, exatamente o dinheiro que tinha. Uma associação de colecionadores passou a emprestar-lhe filmes.

Em 1998, convidou os vizinhos da periferia de Taboão da Serra, Grande São Paulo, para a primeira sessão, na garagem de casa – ou, melhor, no Mini Cine Tupy. A cada domingo um filme. A plateia aumentou. Às cadeiras achadas no lixo somaram-se outras, doadas. Um programa de tevê deu a Zagati um aparelho com videocassete.

Hoje, o cinema mudou de casa junto com o dono. Tem 50 lugares. As sessões, semanais, continuam gratuitas e exibem todos os gêneros: "Eu não vou ver o filme, eu vou ao cinema", explica o orgulhoso dono. Zagati, contratado pela Secretaria Estadual de Cultura, atualmente promove exibições por todo o Estado.

"A periferia não tem acesso ao cinema, isso tem de mudar."

Se depender dele, já mudou.


SAIBA MAIS

Zagati, documentário dirigido por Edu Felistoque e Nereu Cerdeira.
 

Adicionar comentário

Seus comentários serão moderados e assim que aprovados serão publicados no site.