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Nem a bomba destruiu o amor-próprio de Imagawa E-mail
Escrito por Laís Duarte   

18 de junho - dia do imigrante japonês

Era 6 de agosto de 1945. O soldado Seitsu Imagawa lutava para defender o Japão durante a Segunda Guerra Mundial quando a bomba atômica arrasou Hiroshima. Para se proteger, ele pulou em um tanque com água. No momento em que expôs o rosto ao calor da explosão, foi queimado.

Mesmo com a face destruída e os amigos mortos, tratou de socorrer as vítimas e levá-las para hospitais. Enquanto se recuperava, viu nascer um jogo para entreter as crianças órfãs da bomba: o gateball. Era o passatempo ideal para um lugar em ruínas. Bastavam arcos de metal, bolinhas e tacos. Vence o time que passar todas as bolas pelos arcos. Imagawa nunca mais deixou de jogar. Com o tempo, superou o trauma, mas não o preconceito. Após a guerra, o medo de que as vítimas da radiação contaminassem outras pessoas tomou conta do Japão. Com a família, ele procurou abrigo no Brasil.

Foram dois meses dentro do navio. Em São Paulo, Imagawa dedicou-se à produção de caju e, mesmo sem falar português com fluência, fez novos amigos. Manteve intactas as raízes orientais, renovadas a cada ano, quando embarca para a terra natal para exames pagos pelo governo japonês.

Aos 89 anos, conserva saúde impecável. Todo os dias, antes do sol nascer, já está no campo. É jogador disciplinado, um campeão dos torneios nacionais. E pra quem busca conselhos, arrisca: o segredo é estar calmo e cheio de amor.

SAIBA MAIS
União dos Clubes de Gateball do Brasil: www.gateballrengo.org.br

 

 

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