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"Não podemos prejudicar o Corinthians" E-mail
Escrito por Luiz Ribeiro   

27 de novembro - dia da afirmação democrática

O cardeal Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo entre 1970 e 1998, liderou a oposição católica à ditadura, apoiou greves do ABC, encampou a luta pelas eleições diretas. Foi o "cardeal dos direitos humanos".

Nos anos de 1960, uma injustiça despertou seu caráter democrático. O então papa Paulo VI decidiu reformar o calendário litúrgico da Igreja. Pretendia excluir das comemorações oficiais os dias devotados a santos que não eram celebrados em todo o mundo, mas apenas em algumas regiões.

O episódio ficou conhecido como "cassações de santos". São Jorge, patrono da Inglaterra e do Corinthians, era um dos "cassados".

O povo achou que a Igreja não mais o consideraria santo. Houve protestos por toda parte. Dom Paulo pediu audiência ao papa:

"Santo padre, nosso povo não está entendendo direito a questão. São Jorge é muito popular no Brasil, sobretudo entre a imensa torcida do Corinthians, o clube de futebol mais popular de São Paulo."

A resposta foi imediata:

"Não podemos prejudicar nem a Inglaterra nem o Corinthians."

A Igreja corrigiu a lista de "santos cassados". São Jorge foi mantido nos calendários litúrgicos da Inglaterra e do Brasil. E a torcida do Corinthians pôde comemorar - inclusive o corinthiano Paulo Evaristo Arns.
 

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