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Na Amazônia, São João chega até de barco E-mail
Escrito por Natália Pesciotta   

O grupo folclórico que leva folguedos para comunidades embrenhadas no meio da floresta amazônica.


Difícil alguma festa ser tão popular no Brasil como a junina: é unânime de Norte a Sul. Lá no alto do mapa a festividade chega a lugarejos onde quase nada mais é acessível. Há 23 anos* o Grupo Folclórico do Amapá se empenha em levar estrutura e folguedos para comunidades embrenhadas no meio da floresta amazônica – lugares isolados por rios ou estradas de terra esburacadas.

No começo, eram apenas universitários querendo angariar fundos para a própria formatura. Ao montar quermesses, faziam pé de meia com a venda de quitutes e bebidas típicas. Só que pegaram gosto pela coisa e, no ano seguinte à formatura, viram-se novamente organizando arraiás pelo Amapá. Nascia o projeto São João Itinerante.

Além de promover diversão e cultura, a festança é uma fonte de renda em vilas e bairros carentes, como havia sido para eles mesmos. Os organizadores não ganham nada. A prefeitura de Macapá entra com transporte, estrutura e verba para os grupos musicais. “Somos apaixonados pelas festas folclóricas”, diz Elpídio Amanajas, diretor da entidade.

Durante junho e parte de julho, o grupo se divide entre ônibus e barco. Algumas viagens levam dias, como a ida até a vila de Sucuriju, localizada numa região conhecida pelo sugestivo nome de Triângulo das Bermudas brasileiro, pela revolta das águas do rio Amazonas, próximo ao mar. Ao chegar ao destino, a sequência se repete: arma-se a festa, pau-de-sebo e fogueira, para então realizar a ladainha do santo, o “casamento dos noivos”. E dá-lhe forró até o amanhecer.

 

*Matéria publicada em junho de 2010

 

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