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Nas mãos de Maureen, nossos clássicos viraram fotografias E-mail
Escrito por Natália Pesciotta   

Outros escritores levaram a artista a novos caminhos

Certa vez, Maureen Bisilliat disse, coberta de modéstia: “Os grandes fotógrafos – que não é o meu caso – sabem sintetizar a vida entre os quatro cantos da fotografia”. Grandes escritores também sabem fazer isso nos limites das páginas de um livro. Ao unir as duas linguagens, visual e escrita, a inglesa produziu um dos mais significativos materiais fotográficos sobre a pátria que adotou.

Filha de diplomata italiano e artista irlandesa, Maureen veio para o Brasil aos 20 e poucos anos, na década de 1950. Resolveu criar raízes. Era fotógrafa da revista Realidade quando ganhou de um amigo o livro Grande Sertão: Veredas. “Espero que você compreenda”, ele disse. Maureen não só entendeu como ficou encantada. Procurou o autor, Guimarães Rosa, para saber o que era realidade e o que era ficção. Como resposta, recebeu o conselho de conhecer o sertão do Urucuia. Assim nasceu a coleção A Guimarães Rosa, na qual reúne fotografi as suas associadas a trechos da obra original – o que ela chama de “equivalência fotográfica”.

Outros escritores levaram a artista a novos caminhos: “Uma vez que você está na trilha, está resolvido. Passa a ter uma identidade”. As lentes fotográficas foram em busca da Bahia registrada pela obra de Jorge Amado, do sertão pernambucano retratado por João Cabral de Melo Neto, da Canudos revelada por Euclides da Cunha. Ainda ilustrou com fotos poemas de Drummond e de Adélia Prado. Hoje, o trabalho da artista tem foco na produção de vídeos. Suas fotos, que além de sintetizar a vida, sintetizam a arte, fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles.


SAIBA MAIS

Visite o endereço virtual da fotógrafa no Instituto Moreira Salles.
 

Comentários 

 
#1 Luiz 16-05-2011 14:45
Como que um delicado contraponto de Manuel de Barros, poeta maior pantaneiro, que vê e reinventa imagens traduzindo-as em pura poesia escrita, Maureen lê e recria textos, transmutando-os em imagens poéticas, que de tão fortes e emblemáticas, estáticas se movem aos nossos olhos, emocionando-nos.Pena não ter conhecido M. Bisilliat antes, que alegria poder ainda ter tempo de muito apreciá-la!
Obrigado Almanaque, por esta "descoberta".
Luiz.
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