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Fim dos muxarabis faz florescer as moças janeleiras E-mail
Escrito por Rafael Capanema   

As sacadas permitiam que os moradores pudessem ver o que se passava na rua sem ser vistos, o objetivo principal era resguardar as mulheres da casa dos olhares externos.
Até o século 19, era comum existir nas casas de um ou mais andares um tipo de sacada pela qual se podia ver o que se passava na rua sem ser visto. Tratava-se dos muxarabis, também conhecidos como gelosias, cujo objetivo principal era resguardar as mulheres da casa dos olhares externos. O costume foi herdado dos árabes. Como registrou o Barão do Rio Branco em suas Efemérides Brasileiras, “o Rio de Janeiro dos tempos coloniais tinha o aspecto de uma cidade do Oriente”.
Quando a Família Real aportou por aqui, em 1808, tratou logo de promover uma “reeuropeização” do Brasil. Uma das primeiras providências de João VI foi criar a Intendência Geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil. O cargo de Intendente Geral da nova instituição foi confiado a um brasileiro, o desembargador e ouvidor Paulo Fernandes Viana. As amplas atribuições do Intendente – uma espécie de prefeito – incluíam o zelo pela limpeza, saúde e segurança. Mal Viana assumiu e já baixou edital, em 11 de junho de 1809, ordenando que os muxarabis fossem removidos no prazo de oito dias e substituídos por grades de ferro ou balaústres de madeira.
Com o fim dessas clausuras patriarcais, as mulheres estavam livres para algo impensável no tempo dos muxarabis: paquerar pela janela. As moças janeleiras, como ficaram conhecidas, surgiram em meados do século 19. Discretas e delicadas, comunicavam-se com os pretendentes por meio de flores. Um botão de rosa branca dava a entender que a moça queria casamento. Mal-me-quer denotava sofrimento, tristeza. A dália escarlate significava “és um portento”. Miosótis, “não te esqueças de mim”. Escarlate, “já não posso mais”. Amor-perfeito, “existo para ti só”. Botão de cravo branco, “espero resposta”. Botão de rosa cheirosa, “meus olhos só vêem a ti”. Haja floricultura para tanta paixão.

SAIBA MAIS O Rio de Janeiro Imperial, de Adolfo Morales de los Rios Filho (Topbooks, 2000).
muxarabis
 

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