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À beira da Rio-Santos, desafiou escravidão e patriarcado E-mail
Escrito por Angela Pinho   

14 de julho - dia universal da liberdade

Há muitas razões para visitar a fluminense Paraty: praias, ruas de paralelepípedos, casas em estilo colonial, festa literária. O turista, porém, pode descobrir motivo incomum: a comunidade negra Campinho da Independência, a 15 minutos de carro do centro.

Formou-se no fim do século 19, quando a então Fazenda Independência foi abandonada por seu dono. Ficou com três escravas libertas: Antonica, Marcelina e Luiza. Virou referência para os negros após a Abolição da Escravatura.

Desde sua fundação, a comunidade tem estrutura matriarcal. A participação dos homens vem aumentando, mas a das mulheres ainda é fundamental - "senão, o negócio vai para o brejo", brinca Laura Maria, da Associação de Moradores do Campinho.

Os 400 habitantes se distribuem por uma área cujo centro é o campo de futebol das crianças. Proibidas de entrar no dos adultos, fizeram o delas - mais democrático, o Campinho da Independência, que deu nome à comunidade.

Na década de 1970, os moradores sofreram forte abalo com a construção da rodovia Rio-Santos. Forasteiros grilaram parte da terra. Hoje, graças à organização comunitária, asseguram a propriedade. Praticam agricultura sustentável. E apostam no "turismo étnico" para que os moradores possam continuar a viver na terra dos ancestrais: organizam trilhas ecológicas, expõem seu artesanato (principalmente cerâmica e cestaria), exibem jongo e capoeira de Angola, oferecem comidas típicas.

Griôs - pessoas mais velhas e, portanto, mais respeitadas - contam aos visitantes histórias do Campinho. E têm muitas e boas.

 

 

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