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Cônego Benigno morreu procurando cidade romana na Bahia E-mail
Escrito por Mariana Albanese   

4 de agosto - dia do padre


Parece filme: em 1839, um manuscrito carcomido datado de 1753 é achado na Livraria Pública da Corte, atual Biblioteca Nacional. Intitulado Relação Histórica de huma occulta, e grande Povoação antiquíssima sem moradores, descrevia em detalhes uma suposta cidade na Bahia escondida atrás de uma montanha de cristal. "A grande povoação cuja entrada he por tres arcos de grande altura" mostrava traços de arquitetura romana e teria sido destruída por um terremoto, segundo o texto. Enviado ao recém-criado Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), registrado com o número 512, passou a despertar interesse dos pesquisadores.

Em 1841, o cônego Benigno José de Carvalho e Cunha, designado para a primeira expedição em busca da cidade, partiu de Salvador em direção aos rios Paracaçu e Unã, únicas indicações geográficas do manuscrito. De Sincorá, enviou carta ao IHGB: "Alguns affirmam que ella existe, mas que nella está um dragão que traga quem lá se approxima; outros dizem que quem lá vai não volta."

Cinco anos de buscas. Em 1846, o governo, desacreditado da existência do lugar, parou de enviar recursos. Correram boatos de que o cônego enlouqueceu. O certo é que morreu em Salvador três anos depois.

O Manuscrito 512 é hoje o documento mais procurado na Biblioteca Nacional, disponível em seu acervo digital, na seção Tesouros: www.bn.br.


SAIBA MAIS
Cônego Benigno José de Carvalho: Imaginário e ciência na Bahia do século XIX, em www.dominiopublico.gov.br

 

 

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