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Caminhoneira trocou asfalto por viagens astrais E-mail
Escrito por Mariana Albanese   

19 de agosto - dia das vocações religiosas

Viúva aos 24 anos, quatro filhos legítimos e uma adotiva para criar, a baiana Neiva Chaves Zelaya vendeu o sítio onde morava e caiu na estrada. Foi a primeira caminhoneira com carteira profissional no Brasil, no início dos anos 1950.

De Minas ao Paraná, passando pelo interior paulista, se fixou em Goiânia após roubarem seu caminhão. Foi motorista de ônibus e repórter de um jornal. Convidada por um amigo, seguiu o rumo dos candangos que trabalhavam na construção de Brasília.

Em 1957, aos 32 anos, a vida parecia ter entrado nos eixos. Foi quando começou a ouvir vozes. De formação católica, procurou auxílio médico. Depois de lhe receitar remédios para estresse, o psiquiatra viu a paciente travar uma conversa com uma terceira pessoa que não estava na sala: o pai do médico, morto há anos. Assustado, ele teria deixado Brasília.

As vozes que Neiva escutava passaram a se identificar: uma delas era Pai Seta Branca, um espírito de luz que teria sido são Francisco de Assis. Seguindo suas orientações, Neiva fundou em 1959 a União Espiritualista Seta Branca, UESB. O local abrigava crianças e doentes que não tinham onde se tratar no Distrito Federal.

Buscando uma formação mais completa, Tia Neiva, como agora era chamada, passou a realizar o que chamava de “transporte consciente”: todas as noites, saía de seu corpo para ter aulas no Tibete com o monge Humarran, seu mestre durante cinco anos. Das viagens extracorporais, a médium teria trazido bagagem para formatar uma nova doutrina religiosa, e também uma tuberculose que a deixou internada por quatro meses.

Em 1964, com o fim da UESB, nasceu o Vale do Amanhecer, ou Obras Sociais da Ordem Espiritualista Cristã, que une representações diversas, como as católicas, pré-colombianas, romanas, além das matrizes negra, branca e indígena. Seus adeptos, os jaguares, acreditam que os habitantes da Terra são oriundos de um planeta chamado Capela, com o qual se comunicam.

Instalado na cidade satélite de Planaltina, a 45 quilômetros de Brasília, o Vale do Amanhecer possui cerca de 25 mil moradores ao seu redor, e recebe outros 12 mil visitantes por mês. Tem ainda 600 templos, dez deles em países como Japão, Portugal e Alemanha.

O legado deixado por Tia Neiva, que morreu em 1985, hoje é objeto de inventário pelo Iphan, que pretende outorgar ao Vale do Amanhecer o título de Patrimônio Cultural Imaterial Nacional.


SAIBA MAIS
Confira um vídeo sobre o Vale do Amanhacer ao lado.
 

Comentários 

 
#1 rene lins 09-10-2011 11:00
salve deus! a tia neiva era sergipana
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