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Umbanda deixa de ser crime depois de congresso E-mail
Escrito por Bruno Hoffmann   

Antes do 1º Congresso Brasileiro de Umbanda, a religião enfrentava preconceito de alguns que a tinham como bruxaria e era vigiada pela polícia.


A umbanda é uma religião genuinamente brasileira. Surgiu há exatos cem anos, no Estado do Rio de Janeiro, após o jovem Zélio Fernandino de Moraes incorporar o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Os espíritas tradicionais não o aceitaram, por considerá-lo uma entidade menos evoluída. Zélio resolveu então criar uma religião nova e sincretista, em que todos os espíritos fossem permitidos, como pretos-velhos e índios. Também passou a usar elementos da Igreja Católica. As imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora Aparecida e São Jorge, por exemplo, estão presentes nas sessões.

As primeiras décadas da umbanda não foram nada fáceis. Alguns a tinham como bruxaria. Outros, como vadiagem. Os eventos eram reprimidos com rigor. Em 1934, uma determinação da Prefeitura do Rio a colocou sob fiscalização do Departamento de Tóxicos e Mistificação da Polícia, responsável por lidar com situações relacionadas a drogas, jogo ilegal e prostituição. Para combater o preconceito e lutar pela legalidade, os líderes da religião promoveram, em 19 de outubro de 1941, o 1º Congresso Brasileiro de Umbanda, no Rio de Janeiro.

A intenção era unificar as práticas e buscar respeitabilidade social. Houve críticas de outros grupos. Os palestrantes tiraram o caráter de feitiçaria e diminuíram a importância da origem africana. Fortaleceu-se o conceito de “umbanda de magia branca”. Mesmo com as polêmicas, a religião saiu mais guarnecida.

Três anos depois, em 1944, umbandistas entregaram ao presidente Getúlio Vargas um documento chamado O Culto da Umbanda em Face da Lei. Logo o governo brasileiro colocou a religião na legalidade. Hoje, a umbanda e o candomblé, que são contados juntos no Censo, possuem 600 mil praticantes declarados. 


SAIBA MAIS
Umbanda, Essa desconhecida, de Roger Feraudy (Conhecimento, 2006).

 

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